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MPRJ denuncia grupo de milicianos que monitorava PMs e extorquia comerciantes na Baixada Fluminense

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou 21 pessoas sob a acusação de integrar uma milícia privada com forte atuação em Queimados, na Baixada Fluminense. A denúncia foi integralmente aceita pela 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa, que determinou a prisão preventiva de 20 dos investigados.

Na manhã desta quarta-feira (1º de julho), agentes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), com o apoio operacional da Corregedoria da Polícia Militar, saíram às ruas para cumprir os 20 mandados judiciais. Do total de alvos, cinco já se encontravam detidos no sistema penitenciário. Os outros 15 mandados de prisão estão sendo executados em endereços localizados nos municípios de Nova Iguaçu e Queimados. Até o momento, as forças de segurança computaram o cumprimento de nove ordens de prisão: cinco em presídios e quatro em vias públicas.

Mensagens em celular de criminoso revelam planos de ataques

A ofensiva policial representa a terceira fase da chamada Operação Hunter, capitaneada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A primeira etapa da força-tarefa ocorreu em julho de 2019, seguida por uma segunda fase desencadeada em janeiro de 2024. Segundo os promotores de Justiça, o nome atribuído à operação é uma referência direta à própria denominação adotada pela quadrilha, que se autointitulava “Caçadores de Ganso”. No jargão da criminalidade fluminense, o termo “ganso” define membros pertencentes a facções de tráfico rivais.

O atual desdobramento da investigação criminal avançou significativamente após a apreensão e análise do telefone celular de Washington Gabriel de Oliveira Rosa, vulgarmente conhecido pelo apelido de “Bibi”. Ele foi preso pelas autoridades após um violento confronto armado entre milícias concorrentes que disputavam o controle territorial de pontos estratégicos na região. As conversas e arquivos extraídos do aparelho telefônico demonstraram que os criminosos planejavam atentados armados contra rivais e, simultaneamente, realizavam o monitoramento rotineiro de policiais militares que patrulhavam a Baixada Fluminense.

Taxas de segurança e ameaças semanais asfixiavam a economia local

As investigações conduzidas pelo Gaeco detalham que a organização criminosa mantinha um rígido esquema de extorsão contra trabalhadores e microempresários locais ao longo de todo o ano de 2024. Sob constante coação e ameaças de morte, comerciantes e mototaxistas eram forçados a realizar pagamentos semanais em dinheiro vivo aos paramilitares, sob o pretexto de quitação de uma suposta “taxa de segurança” clandestina. Os denunciados nesta fase responderão judicialmente pelo crime de constituição de milícia privada, além de extorsão qualificada e organização criminosa.