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Maioria dos brasileiros apoia decisão dos EUA de classificar PCC e CV como terroristas

Reprodução

A maioria dos eleitores brasileiros, de Norte a Sul do país, aprovou a decisão do governo americano de declarar as duas principais facções criminosas do Brasil — o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) — como organizações terroristas. É o que aponta a mais recente pesquisa do instituto Vetor Arrow, que ouviu 3.022 pessoas neste fim de semana para medir a percepção da população sobre o tema. De acordo com o levantamento, 62,14% dos entrevistados aprovaram a medida, enquanto 37,86% a desaprovaram.

Os dados revelam que, independentemente da região, os brasileiros estão exasperados com a escalada do crime organizado. Para a maior parte dos ouvidos, de nada valeram os argumentos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seus aliados. O governo vinha argumentando que a medida fere a soberania nacional e representa uma potencial ameaça ao sistema financeiro, diante do risco de sanções a instituições bancárias que utilizem o Pix em operações eventualmente vinculadas às facções.

Mesmo com gradações naturais entre as regiões, o apoio à decisão de Washington foi majoritário em todo o país, inclusive em áreas historicamente favoráveis ao atual governo. O cenário difere, por exemplo, do tarifaço articulado por Eduardo Bolsonaro contra o Brasil, que foi amplamente rejeitado pela população. No caso do enquadramento do PCC e do CV como terroristas, a recepção da opinião pública foi amplamente positiva.

As críticas de Lula à decisão americana, inclusive, podem lhe custar caro politicamente, ameaçando o apoio até mesmo no Nordeste, seu principal reduto eleitoral. O posicionamento do presidente corre o risco de reforçar, junto a uma parcela do eleitorado, o estigma de que a esquerda adota uma postura complacente em relação à criminalidade.

Do ponto de vista político, o anúncio foi providencial para o senador Flávio Bolsonaro. O parlamentar conseguiu rapidamente se desvencilhar de uma pauta negativa — relacionada ao pedido de recursos ao empresário Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro — para assumir o protagonismo de uma suposta articulação internacional de combate às facções brasileiras.

“Foi um golaço de Flávio. Ele saiu rapidamente de uma pauta negativa para assumir protagonismo no combate ao crime organizado. A aprovação praticamente unânime da medida demonstra que a população brasileira está cansada do avanço das organizações criminosas”, avalia Rodrigo Belthen, diretor da Vetor Arrow.