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Auditoria descobre milhares de servidores ‘fantasmas’ em Secretarias do Governo do Rio

Até o momento, mais de 4 mil comissionados já foram exonerados.

Uma investigação profunda na estrutura do funcionalismo público do Rio de Janeiro acendeu o alerta máximo no Palácio Guanabara. Uma auditoria realizada pela Controladoria-Geral do Estado (CGE) em parceria com o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) identificou milhares de servidores comissionados sem qualquer registro de atividade em secretarias estaduais.

O levantamento, coordenado pela gestão interina do governador em exercício Ricardo Couto, revelou cenários críticos onde o número de funcionários ausentes superava o contingente de trabalhadores na ativa. Até o momento, mais de 4 mil comissionados já foram exonerados.

O caso mais alarmante ocorreu, ironicamente, na Secretaria de Trabalho e Renda. A pasta registrou o pior índice de ociosidade do estado: 78% dos servidores comissionados não trabalhavam. Na prática, cerca de oito a cada dez funcionários do setor eram “fantasmas”.

O problema, contudo, ramifica-se por diversas áreas da administração pública. Outras oito secretarias apresentaram índices severos de absenteísmo:

  • Esporte: 75% de servidores sem comparecimento.
  • Turismo: 73% de ausências (três funcionários fantasmas para cada um ativo).
  • Ciência e Tecnologia: 65% de pessoal sem atividade.
  • Agricultura: 65% de faltas registradas.
  • Assistência Social: 59% de ociosidade.
  • Casa Civil: 58% de servidores sem trabalhar.
  • Saúde: 46% de cargos comissionados sem expediente.
  • Desenvolvimento Social: 44% de ausências detectadas.

A identificação dos suspeitos foi possível graças a uma força-tarefa tecnológica. Os investigadores cruzaram a folha de pagamento e o banco de dados dos funcionários com os registros de acessos aos sistemas digitais do governo. Além disso, a CGE monitorou as entradas e saídas nas catracas físicas dos prédios públicos.

O rombo financeiro impressiona pelo fato de ser parcial. O pente-fino analisou, até agora, apenas 20 dos 78 órgãos do governo estadual. O prejuízo mensal gerado pelas irregularidades nessas poucas unidades auditadas somava R$ 16,7 milhões. A tendência é que o valor total desviado salte significativamente com a continuidade das investigações nas demais repartições do Estado.