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Ginecologista é indiciado por abuso sexual em consultas na Baixada Fluminense

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro indiciou o ginecologista Carlos Alfredo Mendes de Oliveira, de 71 anos, pelo crime de abuso sexual contra pacientes durante a realização de consultas e procedimentos médicos. A ação foi coordenada pela Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

Até o momento, a delegacia especializada concluiu dois inquéritos criminais contra o médico. Os relatórios finais foram encaminhados à Justiça com pedido de responsabilização penal.

Por determinação judicial expressa, Carlos Alfredo está impedido de exercer a medicina em todo o território nacional. Paralelamente, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) instaurou uma sindicância e abriu um procedimento ético-profissional para apurar a conduta do obstetra. Por exigência legal, o processo administrativo corre sob sigilo.

De acordo com as investigações comandadas pela Deam, o médico aproveitava-se de momentos de vulnerabilidade física das pacientes para praticar atos libidinosos sem o consentimento delas. Os abusos ocorriam majoritariamente durante a realização de exames clínicos que demandavam o toque vaginal, como o preventivo (Papanicolau).

A rede de denúncias ganhou escala nesta semana. Logo após a veiculação das primeiras acusações em reportagem da TV Globo na quarta-feira (3), duas mulheres compareceram à delegacia de São João de Meriti. Elas relataram ter passado por experiências idênticas na clínica do investigado, o que motivou a abertura de novas linhas de investigação.

Um dos depoimentos mais contundentes que baseiam a apuração partiu de uma jovem que usou as redes sociais para relatar o crime, ocorrido em 28 de janeiro deste ano. A vítima pontuou que o médico descumpria protocolos básicos de segurança e acolhimento para a realização de exames íntimos por profissionais homens.

“Eu nunca havia feito qualquer exame ginecológico com um médico homem, então não sabia que era necessária a presença de uma secretária durante o procedimento. Naquele dia, não havia acompanhante para nenhuma paciente”, desabafou.

Ela detalhou ainda que a postura falsamente atenciosa do profissional gerou confusão psicológica imediata. “Ele era bem educado, bem ‘atencioso’, fazendo com que eu me questionasse se estava louca ou se era tudo normal. E não, eu não dei liberdade ou ‘confiança’ para que tudo isso acontecesse.”

O relato expõe o trauma pós-violência enfrentado pelas vítimas de crimes sexuais em ambientes de confiança. A paciente descreveu o impacto profundo que o episódio causou em sua rotina e saúde mental.

“Convivo atualmente com o sentimento de culpa. Culpa por não ter conseguido fazer nada, culpa por não ter reagido, culpa por tê-lo deixado tocar em mim. Mas, quando estamos na posição de vítima, tudo muda de forma absurda e inexplicável. Hoje, conseguir dormir tem sido uma batalha; sorrir para as pessoas como se nada tivesse acontecido tem sido estranho; fazer a mente esquecer de tudo tem sido torturante”, concluiu no desabafo que agora integra os elementos de análise da Polícia Civil.