Os registros de roubo de carga caíram 26% em agosto desta ano no Estado do Rio de Janeiro, passando de 182 para 134 ocorrências. Apesar da redução, o valor das mercadorias roubadas aumentou 61% no período, de R$ 10,55 milhões para R$ 16,99 milhões.
Os dados foram reunidos pelo projeto Carga Blindada, do Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário de Cargas e Logística do Rio de Janeiro (Sindicarga), com base em informações do Instituto de Segurança Pública (ISP) e da Polícia Civil.
Segundo o presidente do Sindicarga, Filipe Coelho, os números indicam uma mudança no padrão de atuação das quadrilhas.
“A criminalidade aprendeu a escolher alvos maiores. Antes, havia mais roubos contra veículos menores e cargas de menor valor. Agora, para praticamente o mesmo risco, os criminosos atacam caminhões que transportam mais mercadorias.”, afirmou.
De acordo com o levantamento, em seis dos nove períodos analisados em 2026, o valor das cargas roubadas ficou acima do registrado no mesmo período do ano anterior.
A mudança no perfil dos crimes também aparece em uma operação realizada pela Polícia Civil nesta segunda-feira (21). A ação teve como alvo uma quadrilha apontada como ligada ao Terceiro Comando Puro (TCP).
O grupo é investigado por pelo menos quatro roubos de carga que, segundo as investigações, teriam provocado prejuízo superior a R$ 2 milhões. Além das mercadorias, os criminosos também teriam retirado rodas, pneus e outros equipamentos dos caminhões. Mais de 40 rodas e pneus teriam sido levados.
A investigação identificou ainda veículos e estabelecimentos comerciais suspeitos de participação no transporte e na receptação dos materiais.
Para Filipe Coelho, a operação demonstra que o roubo de cargas envolve uma cadeia que vai além da abordagem aos caminhões.
“Existe uma estrutura para roubar, transportar, armazenar e revender cargas e peças dos veículos. O trabalho da Polícia Civil precisa ter continuidade para alcançar todos os que lucram com esse crime.”
Em 2025, o Estado do Rio registrou 3.114 roubos de carga. Apesar de uma redução de 9,4% em relação ao período anterior, a média ficou acima de oito ocorrências por dia.
O Sindicarga destaca que os impactos do crime atingem toda a cadeia logística. Entre as consequências apontadas estão o aumento dos custos com seguros e segurança, possíveis problemas de abastecimento e repasses de custos aos consumidores.
A mudança no perfil dos roubos e a necessidade de combater toda a cadeia criminosa serão discutidas no 8º Fórum de Segurança Pública Carga Blindada, promovido pelo Sindicarga nesta sexta-feira (25), das 9h às 12h.
O encontro vai reunir autoridades e representantes do setor produtivo. Entre os temas previstos estão a retomada de territórios, o combate à receptação, a reincidência criminal, os investimentos nas forças de segurança e mudanças na legislação.
“Vamos partir de problemas concretos, ouvir os planos das autoridades e construir uma agenda de compromissos. Segurança para quem transporta também significa emprego, investimento e desenvolvimento econômico para o Rio”, afirma Filipe.
Ao final do evento, as propostas discutidas serão reunidas em uma carta conjunta, que será encaminhada a gestores públicos e parlamentares do Rio de Janeiro.






