Polícia Civil realiza operação contra milícia suspeita de cobrar taxas e ameaçar moradores em São João de Meriti
Rio de Janeiro
Polícia Civil realiza operação contra milícia suspeita de cobrar taxas e ameaçar moradores em São João de Meriti
Nunes Marques dá prazo para Meta e WhatsApp explicarem anúncios políticos que violam leis do TSE
Brasil
Nunes Marques dá prazo para Meta e WhatsApp explicarem anúncios políticos que violam leis do TSE
Ventania derruba árvores, poste e cancela voos no aeroporto Santos Dumont
Mais Quentes
Ventania derruba árvores, poste e cancela voos no aeroporto Santos Dumont
Polícia Civil mira grupo suspeito de fornecer drogas para o Comando Vermelho
Brasil
Polícia Civil mira grupo suspeito de fornecer drogas para o Comando Vermelho
Bombeiros resgatam banhistas em Copacabana após ventania
Estado
Bombeiros resgatam banhistas em Copacabana após ventania
Temporal deixa rastro de estragos no Sul de Santa Catarina
Brasil
Temporal deixa rastro de estragos no Sul de Santa Catarina
Começa hoje a Assembleia Geral da ONU 2026, em NY
Mundo
Começa hoje a Assembleia Geral da ONU 2026, em NY

Polícia Civil mira grupo suspeito de fornecer drogas para o Comando Vermelho

A ação cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Alagoas

divulgação

A Polícia Civil do Rio faz, nesta terça-feira (22), a Operação Icarus, que investiga um grupo suspeito de fornecer drogas para o Comando Vermelho. A ação cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Alagoas. Até o momento, seis pessoas foram presas. Entre os presos está Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, o Boss, apontado pelos investigadores como fornecedor de drogas e um dos articuladores do esquema, além de um policial militar.

Segundo a investigação, ele mantinha contato direto com lideranças do Comando Vermelho para organizar o abastecimento de comunidades ligadas à facção. A prisão ocorreu nesta segunda-feira (21), em Alagoas.

Policiais no esquema

De acordo com as investigações, os policiais militares Claudio Tavares da Silveira e Diego Portella Batista prestavam apoio armado, além de atuarem na distribuição de drogas e no recolhimento de valores. Já os denunciados Petterson Suzuki Marques Trindade, o Pet; Rafael de Menezes Faustino, o Alemão; Renato Ivo de Oliveira; e Felipe Santos de Oliveira eram responsáveis pela logística, pelo transporte e pela cobrança.

Entre os denunciados que, segundo as investigações, recebiam as drogas de forma recorrente no Rio de Janeiro para redistribuir estão:

Pedro Henrique Mesquita da Silva, o Tiquinho

Thiago Claudio Duarte Chagas, o Cabeça

Matheus Eduardo Tentempo Lima, o Dourado

Anderson Santanna da Silva, o “Gão”; Anderson Adriano de Oliveira, o Dnort

Bruno de Lemo Garcia, o Bruninho.

Já Alsuece Alves de Assis, o Sussu, e Simone Alexandrino atuavam como laranjas.
Segundo o Ministério Público, 15 mandados de prisão preventiva foram expedidos pelos crimes de associação para o tráfico e lavagem de capitais. Além disso, o GAESF/MPRJ pediu o confisco de bens e a perda alargada do patrimônio dos denunciados

Além dos mandados de prisão, os agentes cumprem ordens de busca e apreensão e outras medidas judiciais para localizar celulares, documentos, dinheiro, veículos e outros materiais que possam ajudar a esclarecer a atuação do grupo. Desde o início desta terça-feira (22) os agentes estão nas ruas. Veja abaixo a movimentação dos policiais:

Movimentação financeira de R$ 70 milhões

Um dos principais pontos da apuração é a movimentação financeira atribuída aos investigados. Segundo a Polícia Civil, operações consideradas atípicas envolvendo pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo movimentaram mais de R$ 70 milhões em um curto período.

Para os investigadores, empresas dos setores de transporte e logística poderiam ter sido utilizadas para ocultar ou dissimular valores e viabilizar o transporte de drogas entre São Paulo e Rio de Janeiro. A apuração teve início após a apreensão de anotações de Marcos Antônio Pereira Firmino da Silva, o My Thor, uma das principais lideranças do Comando Vermelho.

Entre os registros encontrados pelos investigadores estavam anotações de contabilidade do tráfico. Segundo a Polícia Civil, os documentos indicavam pagamentos feitos por My Thor a Boss. A partir das informações, os investigadores passaram a apurar a atuação de Laércio. Segundo a investigação, ele negociava cargas de drogas, organizava fretes e pagamentos, coordenava operadores logísticos e utilizava pessoas interpostas para movimentar valores.

A estrutura identificada teria divisão de tarefas entre liderança, operadores logísticos, transportadores, responsáveis pela cobrança e recolhimento de dinheiro e pessoas utilizadas para movimentar recursos.

Cargas de drogas

Duas grandes apreensões de drogas foram relacionadas pelos investigadores ao grupo. Em 2 de fevereiro de 2024, policiais apreenderam 715,7 quilos de cocaína e maconha em Guarulhos, em São Paulo. Em 31 de maio do mesmo ano, foram apreendidos outros 73,8 quilos de cocaína em Seropédica, na Região Metropolitana do Rio.

Segundo a Polícia Civil, os elementos reunidos durante a investigação indicam que as duas cargas faziam parte da mesma dinâmica de transporte interestadual de drogas. A investigação também apontou o uso de empresas dos setores de transporte e logística para, segundo os investigadores, ocultar a atividade e viabilizar o envio de entorpecentes entre os dois estados.

Operação em quatro estados

A Operação Icarus é conduzida pelo Serviço de Investigações Complexas da Corregedoria-Geral (SIC) e pela Subsecretaria de Inteligência (Ssinte), com apoio do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), do Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (GAESF/MPRJ), da Corregedoria da Polícia Militar, Polícia Penal e polícias civis de São Paulo, Minas Gerais e Alagoas.

Em Maceió, um dos principais alvos da investigação foi preso na segunda-feira (21), durante uma ação conjunta da SSINTE e da Corregedoria-Geral da Polícia Civil. As investigações continuam para identificar outros envolvidos e detalhar a origem e a destinação dos valores movimentados pelos investigados.