Quase 65% dos municípios brasileiros não alcançaram a meta de vacinação para a segunda dose da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, nos oito primeiros meses de 2026. Segundo dados do Ministério da Saúde, 3.589 das 5.570 cidades ficaram abaixo dos 95% de cobertura recomendados.
O levantamento mostra uma diferença expressiva entre as duas aplicações: a cobertura nacional da primeira dose chegou a 94,66%, enquanto a segunda ficou em 79,78%. Completar o esquema vacinal é fundamental para ampliar a proteção e reduzir o risco de surtos.
A dificuldade persiste há anos. Em 2021, durante a pandemia de Covid-19, a cobertura da segunda dose caiu para 53,20%. Apesar da recuperação nos anos seguintes, o índice permanece distante da meta.
O cenário preocupa diante dos 52 casos de sarampo registrados no Brasil até 5 de outubro, sem mortes. São Paulo concentrou 41 ocorrências, seguido pelo Amazonas, com dez, e pelo Rio de Janeiro, com uma. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde paulista, 37 dos 41 pacientes não haviam sido vacinados ou estavam com o esquema incompleto.
Embora o Brasil tenha recuperado o reconhecimento de eliminação da circulação endêmica do sarampo, a entrada de pessoas infectadas em outros países mantém o risco de reintrodução do vírus, especialmente em comunidades com baixa cobertura vacinal.
A tríplice viral está disponível gratuitamente no SUS. Pelo calendário nacional, a primeira dose é aplicada aos 12 meses e a segunda aos 15 meses. O Ministério da Saúde orienta pais e responsáveis a conferir a caderneta das crianças e procurar uma unidade de saúde para atualizar doses atrasadas. Adolescentes e adultos também devem verificar a situação vacinal, conforme as recomendações para cada faixa etária.






