O Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel de 2026 foi concedido aos economistas Robert E. Hall e Michael Woodford por suas contribuições às bases microeconômicas da estabilização macroeconômica. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (12) pela Academia Real das Ciências da Suécia.
Os pesquisadores desenvolveram modelos econômicos que ajudam governos e bancos centrais a formular políticas mais eficazes para reduzir as oscilações da atividade econômica. A pesquisa demonstra como medidas fiscais e monetárias, adotadas no momento adequado, podem amenizar recessões e conter períodos de crescimento excessivo.
O prêmio tem o valor de 12 milhões de coroas suecas (US$ 1,2 milhão), que será dividido igualmente entre os dois vencedores.
Segundo John Hassler, presidente do Comitê do Prêmio de Ciências Econômicas, o trabalho dos pesquisadores ampliou a capacidade de enfrentar choques econômicos, como crises de energia e mudanças repentinas no consumo das famílias.
Hall nasceu em 1943, em Palo Alto, na Califórnia, e é professor da Universidade Stanford. Woodford nasceu em 1955, em Chicopee, Massachusetts, e leciona na Universidade Columbia, em Nova York. Ao receber a notícia por telefone, Woodford afirmou que a premiação foi uma grande honra e uma surpresa.
Como os estudos ajudam a estabilizar a economia
A economia passa por períodos de expansão e retração. Em momentos de recessão, governos e bancos centrais podem adotar medidas para estimular a atividade, como reduzir as taxas de juros e ampliar os gastos públicos. Quando a economia cresce em ritmo excessivo e aumenta a pressão sobre os preços, políticas mais restritivas podem ajudar a conter a inflação.
A dificuldade está em identificar quais medidas devem ser adotadas, em que momento e com quais consequências. Durante as crises do petróleo da década de 1970, diversos países ocidentais enfrentaram uma combinação de baixo crescimento, desemprego elevado e inflação alta. O cenário colocou em dúvida a eficácia dos modelos econômicos utilizados para orientar as políticas de estabilização.
Hall e Woodford contribuíram para reformular essas ferramentas ao incorporar às análises macroeconômicas as decisões individuais de famílias e empresas.
Os modelos tradicionais frequentemente identificavam relações estatísticas entre indicadores como inflação, produção e consumo, mas nem sempre explicavam de maneira satisfatória os mecanismos que produziam esses resultados. A abordagem dos pesquisadores procurou preencher essa lacuna, considerando como as escolhas de milhões de agentes econômicos influenciam o funcionamento da economia como um todo.
Expectativas também influenciam os resultados
Um dos pontos centrais dessa abordagem é o papel das expectativas. Famílias decidem quanto consumir e poupar levando em conta o que esperam do futuro. Empresas, por sua vez, estabelecem preços considerando custos, demanda e perspectivas para a economia.
Essas decisões também são influenciadas pelas sinalizações do governo e do banco central. Quando as autoridades anunciam mudanças nos juros, nos impostos ou nos gastos públicos, a maneira como famílias e empresas interpretam essas medidas pode afetar o consumo, os investimentos, a produção e a inflação.
Por isso, a política econômica não depende apenas das decisões tomadas pelas autoridades, mas também da reação da sociedade a elas. A contribuição dos premiados ajudou a estabelecer fundamentos teóricos para modelos utilizados por governos e bancos centrais na avaliação dos efeitos de suas políticas.
Como funciona o Nobel de Economia
Oficialmente denominado Prêmio do Banco da Suécia em Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel, o prêmio foi instituído em 1968 e concedido pela primeira vez em 1969.
Diferentemente das categorias de Física, Química, Medicina, Literatura e Paz, previstas no testamento de Alfred Nobel, a premiação em Ciências Econômicas foi criada posteriormente, por iniciativa do banco central sueco.
Apesar dessa diferença histórica, o prêmio é concedido pela Academia Real das Ciências da Suécia e segue procedimentos de seleção próprios, com avaliação de pesquisadores e de suas contribuições científicas.
A edição de 2026 reconhece o papel dos estudos de Hall e Woodford na compreensão de como decisões individuais, expectativas e políticas públicas se combinam para influenciar a estabilidade econômica.






