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Violência faz 411 linhas de ônibus mudarem de trajeto no Rio em 2026

Número é o maior já registrado entre janeiro e julho; só em julho, 136 linhas foram afetadas e 23 ônibus foram usados como barricadas

Foto: Reprodução/TV Globo

A violência provocou mudanças no trajeto de 411 linhas de ônibus do Rio de Janeiro entre janeiro e julho de 2026. O número é o maior já registrado para os primeiros sete meses de um ano, segundo levantamento do Rio Ônibus, feito a pedido da GloboNews.

O total representa um aumento de 12,9% em relação ao mesmo período de 2025, quando 364 linhas tiveram os itinerários alterados. Na comparação com 2024, o crescimento chega a 420%.

Os desvios são provocados principalmente por confrontos, operações policiais e ações criminosas em áreas dominadas pelo tráfico de drogas e por milícias.

 

Julho teve recorde histórico

Julho foi o mês com o maior número de linhas afetadas desde o início da série histórica. Ao todo, 136 linhas precisaram mudar de trajeto, contra 41 no mesmo mês de 2025.

Outro problema é a utilização de ônibus como barricadas. Somente em julho, 23 coletivos foram tomados por criminosos e usados para bloquear ruas. Em julho de 2024, foram quatro casos, o que representa um aumento de 475% em dois anos.

As ações prejudicam passageiros, motoristas e empresas de ônibus, além de dificultarem a circulação em diferentes regiões da cidade.

Os episódios continuaram em agosto. Até quarta-feira (19), mais de 30 linhas já tinham sido desviadas. Apenas naquele dia, 19 linhas tiveram os itinerários alterados por causa de uma operação na Cidade de Deus e de um tiroteio na Muzema.

 

Prejuízo chega a quase R$ 15 milhões

A violência também provoca prejuízos financeiros. De janeiro a julho, o Rio Ônibus calcula R$ 14,89 milhões em perdas causadas por vandalismo.

A Zona Oeste é apontada como a região mais afetada pelos desvios e pelas ações criminosas contra os coletivos.

 

PM diz que monitora ocorrências

A Polícia Militar informou que acompanha os casos de ameaças a rodoviários e o uso de ônibus como barricadas. A corporação também mantém reuniões com empresas e sindicatos do setor para discutir medidas de segurança.

Segundo a PM, unidades especializadas também atuam no combate a esse tipo de ocorrência. No último dia 14, três homens foram presos em Guadalupe, na Zona Norte, com chaves de veículos que, segundo a polícia, seriam usadas para bloquear ruas.

A corporação defende mudanças na legislação para aumentar as punições contra pessoas envolvidas na utilização de ônibus em ações criminosas.