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Violência contra idosos cresce 24% no RJ

Mulheres são as principais vítimas em ambiente doméstico

As denúncias de violência contra idosos explodiram no Estado do Rio de Janeiro. De acordo com um balanço divulgado nesta segunda-feira (15) pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), as notificações coordenadas pelo Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça da Pessoa Idosa (CAO Pessoa Idosa/MPRJ) deram um salto de 24% em apenas um ano, passando de 2.386 registros em 2024 para 2.967 em 2025.

Dos quase 3 mil registros contabilizados, 2.816 pessoas foram formalmente identificadas como vítimas. O perfil dos dados revela uma triste desigualdade de gênero: as mulheres são as principais afetadas, somando 2.002 ocorrências — o que equivale a 71% do total de casos.

Os dados estatísticos acendem um alerta vermelho para a segurança doméstica, revelando que o lar não tem sido um local seguro para a terceira idade. Em 2.154 queixas recebidas pela Ouvidoria, a própria residência da vítima foi apontada como o cenário das agressões.

A negligência — caracterizada pela privação de cuidados básicos, saúde, segurança e dignidade — lidera o ranking das violações no estado, respondendo por 29% das queixas.

Durante a apresentação do painel, o procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, chamou a atenção para a evolução e a complexidade dessas dinâmicas criminosas. Segundo ele, o sofrimento da população idosa hoje ultrapassa os maus-tratos físicos.

“O aumento dos indicadores exige uma atuação conjunta do poder público e da sociedade para garantir proteção efetiva à população idosa, especialmente diante do crescimento de fraudes e crimes praticados por meios digitais”, alertou o procurador-geral, citando o forte avanço de golpes financeiros e crimes cibernéticos contra esse público.

Subnotificação e falta de apoio familiar

Para o coordenador do CAO Pessoa Idosa/MPRJ, Luiz Cláudio Carvalho, a realidade pode ser ainda mais severa do que os gráficos apontam. Ele destaca que a subnotificação camufla a verdadeira dimensão do problema, mantendo milhares de idosos na invisibilidade, especialmente em quadros de abandono.

Carvalho aponta também para a vulnerabilidade social como um fator de peso: “Boa parte das famílias não dispõe de condições financeiras ou de uma rede de apoio capaz de atender às necessidades de idosos que perderam a autonomia. Isso contribui diretamente para o avanço dos casos de abandono e negligência identificados pelo Ministério Público”.

Rede de proteção em debate

O encontro promovido pelo MPRJ não se limitou à apresentação de dados, reunindo especialistas para discutir saídas práticas e reforçar a rede de proteção fluminense. Os debates giraram em torno da aplicação rigorosa do Estatuto da Pessoa Idosa e da fiscalização ativa de Instituições de Longa Permanência (ILPIs), os populares asilos.

Outro braço operacional destacado no evento foi a atuação da Patrulha da Pessoa Idosa 60+, uma iniciativa estratégica da Polícia Militar voltada exclusivamente ao atendimento especializado e preventivo desse grupo vulnerável.

Como denunciar

Canais de atendimento estão disponíveis para receber relatos de maus-tratos, abusos financeiros ou negligência:

  • MPRJ (Estadual): Telefone 127 ou pelos canais digitais da Ouvidoria do órgão.
  • Disque 100 (Nacional): Serviço gratuito de direitos humanos, disponível 24 horas por dia.