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Vídeo mostra Moraes e a esposa desembarcando de jatinho de Vorcaro após contrato de R$ 50 milhões

O registro foi feito em 22 de agosto de 2025, no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.

reprodução

Um vídeo divulgado neste domingo (20) por Lauro Jardim em sua coluna no jornal O Globo acrescentou um novo elemento às controvérsias sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. As imagens mostram Moraes e a esposa, a advogada Viviane Barci, desembarcando de um jatinho que, na época, pertencia oficialmente a uma empresa ligada ao então controlador do Banco Master.

O registro foi feito em 22 de agosto de 2025, no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Moraes e Viviane aparecem deixando um Legacy 650, de prefixo PP-NLR, e sendo recebidos na pista. Um segurança transporta as malas do casal.

A informação contrasta com a versão apresentada pelo gabinete do ministro em abril, depois da publicação de reportagens sobre viagens realizadas em aeronaves vinculadas a empresas ligadas a Vorcaro. Na ocasião, Moraes afirmou que “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro”. O ministro voltou a sustentar essa versão ao ser procurado na sexta-feira sobre o novo registro.

Alexandre de Moraes e Viviane Barci, esposa do ministro, desembarcam de jatinho ligado a Daniel Vorcaro no Aeroporto Santos Dumont (Rio de Janeiro). — Foto: Divulgação

Aeronave aparece em apuração sobre contrato

O voo ocorreu em meio a relações comerciais entre empresas ligadas a Vorcaro e o escritório de Viviane Barci.

Segundo informações extraídas pela Polícia Federal do celular do ex-banqueiro, havia tratativas sobre uma segunda contratação, estimada em até R$ 50 milhões, envolvendo o escritório e uma empresa ligada a Vorcaro. A proposta previa que parte dos pagamentos poderia ser realizada por meio de cotas de aeronaves.

Moraes e o escritório Barci de Moraes negam que esse segundo contrato tenha sido efetivamente firmado. A banca sustenta que possuía apenas uma contratação com o Banco Master e que a nova proposta não foi aceita nem assinada.

O caso envolve ainda outro contrato, de aproximadamente R$ 130 milhões, celebrado entre o escritório de Viviane e o Banco Master para prestação de serviços jurídicos.

Na época do voo registrado em vídeo, as operações entre o Master e o Banco de Brasília (BRB) já estavam sob questionamentos. Em julho de 2025, o Banco Central havia encaminhado ao Ministério Público Federal informações sobre indícios de irregularidades nas operações entre as instituições.

Mensagens mencionam uso de aviões e helicópteros

Conversas extraídas pela PF do celular de Vorcaro também registram discussões sobre o uso das aeronaves.

Em 16 de julho de 2025, o então banqueiro perguntou a Marcos Matta, responsável pela PrimeYou, empresa que administrava o compartilhamento de bens de luxo: “Eles não estão usando?”.

A conversa fazia referência a Moraes e Viviane. Matta respondeu:

“Liberado desde quando você me pediu, já a usar sim. Já usaram aviões e helicópteros. O variável não cobrei ainda, devido mudança de contrato de Barci para a outra empresa deles Lux”

A referência a “Lux”, segundo as informações da investigação, seria à Lex, outra empresa ligada à família Moraes.

Na sequência, Vorcaro escreveu:

“Fica em contato com eles pra eles poderem usar”.

Matta respondeu:

“Já tinha deixado desde o primeiro dia, vou reforçar”.

As mensagens integram o material obtido pela Polícia Federal no celular de Vorcaro. O conteúdo das conversas passou a fazer parte das apurações sobre as relações entre o ex-controlador do Master e pessoas ligadas ao ministro.

Mensagem entre Vorcaro e Marcos Matta sobre uso de jato por Moraes — Foto: Divulgação
Mensagem entre Vorcaro e Marcos Matta sobre uso de jato por Moraes — Foto: Divulgação

Escritório reconheceu contratação de táxi aéreo

Em manifestação anterior, o escritório Barci de Moraes reconheceu que contratou serviços de táxi aéreo da Prime Aviation, empresa ligada a Vorcaro, mas afirmou que o uso das aeronaves não significava relação pessoal com seus proprietários.

A banca também sustentou que Vorcaro e Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro, não estavam presentes nos voos realizados por integrantes do escritório.

Segundo a manifestação, os serviços de táxi aéreo eram pagos por meio de compensação de honorários advocatícios prevista contratualmente.

Reportagens publicadas em março já apontavam, a partir do cruzamento de registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) e do Registro Aeronáutico Brasileiro, a realização de diferentes voos em aeronaves associadas a empresas ligadas a Vorcaro. O gabinete de Moraes classificou as informações, na ocasião, como “ilações da fantasiosa matéria”.