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Vandalismo consome um terço do orçamento de conservação do Rio

Cidade gastou R$ 850 mil em um ano e meio para reparar estátuas, bustos, chafarizes e outros bens danificados.

reprodução

A cidade do Rio gastou R$ 850 mil com o reparo de monumentos, chafarizes, bustos e estátuas que foram alvo de furtos ou atos de vandalismo nos últimos 18 meses. O valor corresponde a cerca de 30% do orçamento da Secretaria Municipal de Conservação destinado à preservação desses bens históricos e culturais.

Em 2025, a pasta registrou 17 ocorrências de danos ao patrimônio público. Em 2026, esse número já foi praticamente alcançado antes do fim de julho: foram 15 casos contabilizados até o encerramento do mês.

O Rio tem atualmente 1.150 monumentos sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Conservação. Desse total, 349 homenageiam personalidades ligadas à história da cidade, entre estátuas, bustos, esculturas e efígies.

A obra mais antiga é a estátua de Dom Pedro I, na Praça Tiradentes, no Centro. Datada do século XIX, ela retrata o imperador montado a cavalo. Já a mais recente é a homenagem ao cineasta Cacá Diegues, inaugurada em março deste ano no Alto da Boa Vista.

Monumentos mais atingidos
Alguns dos monumentos mais fotografados da cidade também figuram entre os que mais sofreram danos ao longo dos anos.

O principal exemplo é a estátua de Carlos Drummond de Andrade, na orla de Copacabana. Desde sua instalação, em 2002, os óculos do poeta precisaram ser repostos 13 vezes, segundo a Secretaria Municipal de Conservação.

Outro caso recorrente é o da estátua do compositor Noel Rosa, que já passou por nove reparos, três deles somente no ano passado.

Atualmente, o conjunto inspirado na música “Conversa de Botequim”, composto pela estátua de Noel, uma mesa e a figura de um garçom, está sem a representação do compositor. A peça foi retirada para manutenção após ser alvo, mais uma vez, de vandalismo.

O Monumento ao General Osório, localizado na Praça XV, no Centro, também acumula nove intervenções para reparos.

Somente neste ano, a secretaria registrou ataques a diferentes obras espalhadas pela cidade. Entre elas estão o Relógio da Glória e os monumentos em homenagem a Cazuza, Otto Lara Resende e Sérgio Vieira de Mello.

Os Arcos da Lapa são outro exemplo da dificuldade enfrentada pelo poder público para combater a depredação. Desde 2022, o monumento passou por 34 ações de manutenção para remoção de pichações. Apenas em 2023, foram necessárias 13 intervenções.

O local concluiu recentemente um processo de revitalização que custou R$ 1,7 milhão e foi finalizado em julho. A expectativa da prefeitura é que as melhorias contribuam para reduzir novos casos de vandalismo.