O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou o governo brasileiro por supostamente ter falhado em combater as facções criminosas PCC e Comando Vermelho, que a Casa Branca considera “organizações terroristas estrangeiras“.
Em decreto divulgado nesta quarta-feira (16/9), o governo dos EUA deixa o Brasil fora da lista de principais países de trânsito de drogas ou produtores de drogas ilícitas. Mesmo assim, a Casa Branca cita o governo brasileiro e afirma que o Brasil foi transformado em um “centro de distribuição global de cocaína”.
“Enquanto muitos governos no Hemisfério Ocidental tomam medidas corajosas para reduzir o fluxo de drogas e erradicar os cartéis, o governo do Brasil falhou em confrontar as organizações terroristas estrangeiras designadas como Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho, que transformaram o Brasil em um centro de distribuição global de cocaína”, destaca o texto do decreto assinado por Trump.
O documento, assinado pelo republicano, diz que o governo brasileiro precisa “urgentemente tomar medidas enérgicas” para confrontar as facções. “Essas organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo brasileiro precisa urgentemente tomar medidas enérgicas para confrontá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam”, complementa a parte do texto que cita o Brasil.
Os seguintes países foram classificados pelos EUA como principais países de trânsito ou produção de drogas: Afeganistão, Bahamas, Belize, Bolívia, Birmânia, China, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, Jamaica, Laos, México, Nicarágua, Paquistão, Panamá, Peru e Venezuela.
Reação do governo brasileiro
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu nesta quarta-feira (16) às críticas dos Estados Unidos sobre o enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública contestou a avaliação do governo Donald Trump e afirmou que Washington desconsidera medidas adotadas pelo Brasil contra o crime organizado.
Na reação, o Ministério da Justiça mencionou iniciativas adotadas pelo governo Lula, entre elas a Lei Antifacção, sancionada com vetos em março, e um pacote de R$ 11 bilhões anunciado em maio com medidas destinadas a combater financeiramente organizações criminosas.
A pasta também destacou operações realizadas pelas forças federais e os prejuízos financeiros impostos às organizações investigadas. “Também não levaria em consideração as dezenas de milhares de operações de combate ao crime, por forças federais, com bilhões de reais de prejuízo aos criminosos”, afirmou o ministério na nota.
O governo acrescentou que continuará atuando “de forma soberana e coordenada” contra as facções. Segundo o Ministério da Justiça, o enfrentamento ao crime organizado é realizado por meio de inteligência, investigação, integração das forças de segurança e cooperação internacional.
Outro ponto usado pelo governo brasileiro para rebater Washington foi uma proposta de cooperação entregue por Lula a Trump durante reunião realizada em maio, nos Estados Unidos.
Segundo o Ministério da Justiça, o documento detalha possíveis ações conjuntas contra a lavagem de dinheiro, além do compartilhamento de inteligência e de medidas de combate ao tráfico internacional de drogas. “Até o momento, permanecemos no aguardo da possível resposta do governo dos EUA”, informou a pasta.
As facções criminosas brasileiras PCC e Comando Vermelho passaram a ser consideradas grupos terroristas estrangeiros pelo governo Trump em junho deste ano.






