Candidatos do Enem terão transporte municipal gratuito nos dias de prova no Rio
Rio de Janeiro
Candidatos do Enem terão transporte municipal gratuito nos dias de prova no Rio
Trump diz que guerra com Irã acabará após eleição de meio de mandato
Mundo
Trump diz que guerra com Irã acabará após eleição de meio de mandato
Loja oficial do Flamengo é roubada na Zona Norte do Rio
Rio de Janeiro
Loja oficial do Flamengo é roubada na Zona Norte do Rio
MPF pede condenação do ‘Faraó dos Bitcoins’ por 4 crimes
Estado
MPF pede condenação do ‘Faraó dos Bitcoins’ por 4 crimes
Expediente reduzido nas repartições públicas durante o Rock in Rio
Rio de Janeiro
Expediente reduzido nas repartições públicas durante o Rock in Rio
PF deflagra operação sobre financiamento do filme ‘Dark Horse’
Destaque
PF deflagra operação sobre financiamento do filme ‘Dark Horse’
Liesa divulga calendário dos ensaios técnicos na Sapucaí
Carnaval
Liesa divulga calendário dos ensaios técnicos na Sapucaí

TCU cobra explicações sobre atraso em 97% das entregas de medicamentos da Fiocruz

Tribunal deu 60 dias para o Ministério da Saúde explicar os atrasos e apresentar medidas para evitar novos problemas no abastecimento do SUS

Foto: Reprodução

Quase todas as entregas de medicamentos previstas em um acordo entre o Ministério da Saúde e a Fiocruz ficaram atrasadas no segundo semestre de 2024. Segundo fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU), 97% das remessas feitas entre junho e dezembro daquele ano não foram entregues dentro do prazo. Apenas 3% chegaram na data prevista.

O levantamento analisou o cumprimento dos prazos, e não apenas a quantidade de medicamentos entregue. Mesmo assim, os números também chamaram a atenção. Das cerca de 248,8 milhões de unidades previstas para o período, aproximadamente 106,3 milhões foram entregues, o equivalente a 43% do total programado.

Diante dos resultados, o TCU deu 60 dias para o Ministério da Saúde explicar os atrasos e informar quais medidas foram adotadas para resolver os problemas.

 

Medicamentos são usados em tratamentos contínuos

A fiscalização analisou um acordo firmado entre o Ministério da Saúde e a Fiocruz para o fornecimento de medicamentos do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, destinado a pacientes que precisam de tratamentos contínuos e acompanhamento especializado.

Entre os medicamentos analisados estão tacrolimo, pramipexol, sevelâmer e cabergolina.

O tacrolimo é utilizado por pacientes transplantados para evitar a rejeição dos órgãos. O pramipexol é usado no tratamento da doença de Parkinson. Já o sevelâmer auxilia no controle do fósforo no sangue de pessoas com doença renal crônica, principalmente pacientes que fazem diálise. A cabergolina é utilizada para controlar níveis elevados de prolactina.

Os medicamentos são produzidos por Farmanguinhos, unidade da Fiocruz responsável pela fabricação de medicamentos.

 

Fiscalização aponta falhas na produção e na logística

O TCU identificou problemas em diferentes etapas do processo. Entre eles estão dificuldades para conseguir insumos, problemas na produção e falhas na logística.

O tribunal também levou em consideração um ataque cibernético sofrido por Farmanguinhos em agosto de 2023.

Mas os problemas não ficaram restritos à Fiocruz. Segundo a fiscalização, o Ministério da Saúde demorou para definir as pautas de distribuição, que indicam para onde os medicamentos devem ser enviados e em quais quantidades. Também foram registrados atrasos nos repasses de recursos.

Em alguns casos, medicamentos teriam sido produzidos com base em estimativas informais, o que poderia aumentar o risco de desperdício e de perda de produtos por vencimento.

A fiscalização também encontrou dificuldades para agendar as entregas com as secretarias estaduais de Saúde e problemas relacionados a procedimentos alfandegários.

 

TCU não confirma desabastecimento nacional

Apesar dos atrasos, o TCU afirma que não é possível concluir que tenha ocorrido um desabastecimento nacional dos medicamentos analisados.

Um dos motivos é a falta de informações atualizadas e integradas sobre os estoques e o consumo dos remédios em todo o país.

O Ministério da Saúde informou ao tribunal que adotou medidas de emergência e fez remanejamentos de estoques entre estados para tentar garantir a continuidade dos tratamentos.

Para o TCU, porém, a falta de dados em tempo real dificulta saber se os atrasos provocaram falta de medicamentos em determinados estados ou municípios.

O tribunal também criticou a forma como o Ministério da Saúde acompanha os prazos de entrega. Segundo a fiscalização, os resultados eram consolidados principalmente no fim dos acordos, dificultando a identificação rápida dos problemas.

Por isso, o TCU determinou que o Ministério da Saúde apresente, em até 60 dias, os resultados das entregas de 2024 e 2025, as justificativas para os atrasos e as medidas adotadas para evitar novas falhas. O tribunal também decidiu continuar acompanhando os acordos entre o ministério e a Fiocruz.

Até a publicação da reportagem, Ministério da Saúde e Fiocruz não haviam respondido aos questionamentos sobre as causas dos atrasos, a situação atual das entregas e possíveis impactos no abastecimento do SUS.