O bicheiro Rogério de Andrade enfrentará o Tribunal do Júri pela morte do contraventor Fernando Iggnácio, após a Justiça do Rio de Janeiro negar um recurso apresentado pela defesa do criminoso. O crime em questão aconteceu em novembro de 2020, na região do Recreio dos Bandeirantes, localizada na Zona Sudoeste da capital fluminense.
O Conselho de Sentença que será formado para o julgamento também julgará Gilmar Eneas Lisboa, apontado como o responsável por monitorar a rotina da vítima. Assim como Rogério de Andrade, Gilmar teve sua prisão preventiva integralmente mantida pelas autoridades competentes do Poder Judiciário fluminense.
De acordo com as investigações conduzidas pelo Ministério Público, o homicídio teve como motivação principal a disputa acirrada pelo controle de pontos de jogos de azar. Na ocasião dos fatos, Fernando Iggnácio foi executado a tiros logo após desembarcar de um helicóptero em um heliporto da região.
Os executores permaneceram à espreita, aguardando a chegada da vítima por cerca de quatro horas escondidos em um terreno baldio próximo. Para a Justiça, existem indícios suficientes tanto de autoria quanto de participação para submeter ambos os acusados ao Tribunal do Júri popular.
Anteriormente, em julho, a mesma Justiça já havia condenado os irmãos Pedro Emanuel e Otto Samuel D’Onofre pelo assassinato de Fernando Iggnácio. Pedro D’Onofre atuava como policial militar na época e integrou ativamente a máfia do jogo do bicho para auxiliar na empreitada criminosa. Ele utilizou seus conhecimentos técnicos especializados para garantir o absoluto êxito da execução planejada contra o rival do grupo criminoso.
Constou na decisão judicial que Pedro também foi o responsável direto pelo levantamento de informações e reconhecimento da área do crime. Já Otto Samuel, irmão de Pedro, é ex-policial militar do estado de São Paulo e acabou sendo expulso da corporação em 2021.
A expulsão ocorreu justamente após ele ser formalmente acusado de envolvimento na morte de Iggnácio, sendo capturado anos depois. O ex-PM foi localizado e preso pelas forças de segurança no estado do Paraná, no decorrer do ano de 2023.
Com o esgotamento dos recursos nesta fase, o processo avança para a marcação do julgamento popular dos mandantes e executores restantes.





