Segundo Antônio Bustamante, porta-voz do Sindicato dos Rodoviários, os sequestros de ônibus ocorrem principalmente como represália a operações policiais. Os veículos são atravessados em vias públicas para impedir a circulação ou levados para dentro de comunidades.
A situação aumenta o medo entre os profissionais, que também convivem com assaltos frequentes durante o expediente. De acordo com a entidade, a violência tem levado trabalhadores a solicitar transferências de linha e afastamentos das atividades.
O sindicato também registrou um aumento na procura por atendimento psicológico oferecido a motoristas e familiares. Segundo Bustamante, o número de atendimentos passou de 25 em junho do ano passado para 80 até maio deste ano. Atualmente, são cerca de 110 atendimentos por mês.
O presidente do sindicato dos profissionais da categoria, José Maria, defende o aumento do patrulhamento das forças de segurança nas ruas do Rio para proteger rodoviários e passageiros. A preocupação é maior na Avenida Brasil, por onde circula a maioria das linhas, segundo a entidade.
“Os trabalhadores do setor não suportam mais conviver diariamente com ônibus sequestrados, incendiados e até tendo seu itinerário alterado para atender ao tráfico, ou seja, o estado perdeu totalmente o controle sobre o território”, afirma José Maria.
Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) apontam que o estado do Rio de Janeiro registrou pelo menos 4.449 roubos a ônibus em 2025.
Segundo os dados citados pelo sindicato, os casos se concentram principalmente em dois períodos do dia: entre 4h30 e 7h e entre 17h e 21h30. O trecho entre Campo Grande, na Zona Oeste, e o Caju, na Zona Portuária, está entre as áreas destacadas pela entidade.






