A ex-vereadora Verônica Costa, conhecida como Mãe Loira do funk, passa por uma audiência de custódia da tarde deste sábado (26), em Benfica. Ela foi presa na última quinta-feira (24), depois de ser condenada a 10 anos e 8 meses de prisão pela tortura do ex-marido, Márcio Costa. O caso aconteceu em 2011, em uma residência na Zona Sudoeste do Rio.
Segundo uma investigação feita pela Polícia Civil, em fevereiro de 2011, quatro pessoas ligadas à funkeira teriam ido até a residência do casal e, por ordem dela, amarrado Márcio no banheiro. Além dela, também foram presos Bruno Chaves Ribeiro, Tatiane Chaves Ribeiro Marques e Bruno Marcelo Bahia Marques. Uma quinta pessoa condenada pelo crime segue foragida.
Verônica trocou de defesa após a decisão judicial. A advogada criminalista Maíra Fernandes, que assumiu sua representação, protocolou na última sexta-feira (25) um pedido de revisão criminal no Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), sustentando que a condenação desconsiderou o histórico de violência doméstica relatado pela ex-parlamentar.
O que a defesa de Verônica alega
O principal argumento da revisão é um boletim de ocorrência registrado por Verônica em 2010. No documento, ela relata ter sido vítima de agressões físicas e psicológicas constantes praticadas pelo então marido, além de ameaças com arma de fogo. Segundo o registro, em um dos episódios ele teria feito uma roleta-russa apontando a arma para a cabeça da vereadora.
O boletim também afirma que o homem retirou dinheiro destinado à campanha eleitoral de Verônica, caracterizando, segundo a defesa, um episódio de violência patrimonial. Segundo a advogada, familiares encontraram a ex-vereadora machucada e em estado de desespero e reagiram ao presenciar a situação. A defesa ressalta que não considera a reação física dos parentes uma forma legítima de solucionar o conflito, mas argumenta que o episódio deve ser analisado dentro do contexto de violência e da ausência de proteção estatal existente à época.
— É muito diferente olhar para uma mulher que procurou a polícia em 2010 com os instrumentos de proteção que temos em 2026. Hoje, uma mulher que relata agressões, violência patrimonial e ameaças com arma encontra uma legislação mais detalhada e mecanismos de proteção que foram fortalecidos ao longo de 16 anos. Não podemos analisar o que aconteceu em 2010 como se toda a estrutura existente hoje estivesse disponível naquela época — afirmou Maíra Fernandes.
Na ocasião, a então vereadora procurou uma delegacia e solicitou uma medida protetiva de urgência. De acordo com os documentos anexados ao pedido de revisão, a proteção foi negada. A defesa afirma que, meses depois, Verônica voltou a ser agredida e roubada pelo ex-marido.
Sobre o crime
De acordo com o relato do ex-marido de Verônica, ele teve os pulsos e os pés amarrados com correntes, corda e cadeado, e uma venda teria sido colocada em sua boca e em seus olhos. Em seguida, uma sessão de agressões teria sido iniciada.
— Me bateram. Jogaram um produto químico no meu corpo. Não sei se era gasolina ou querosene. Ficaram ameaçando colocar fogo no meu corpo. Ela ficou repetindo que eu tinha amante. Depois, falou que eu estava roubando o dinheiro dela — disse Márcio à época.
Na ocasião, o ex-marido da funkeira afirmou ter deixado o Brasil por medo de voltar a ser atacado. Ele começou o relacionamento com Verônica quando ela ainda era casada com o tio dele, Rômulo Costa, da Furacão 2000. O casal ficou 11 anos junto e se separou após a briga. Hoje, Rômulo e Márcio já voltaram a se falar.
Logo após o crime, Verônica acusou o ex-marido de ser usuário de drogas e de ter entrado na casa dela, sem consentimento, e levado vários objetos. Em meados de março de 2011, Márcio apresentou um laudo que mostrou resultado negativo para indícios de maconha e cocaína em seu sangue. Márcio também negou que tivesse levado objetos da casa da ex-parlamentar. Ela, no entanto, sempre negou que tivesse torturado o ex.
A decisão que condenou Verônica Costa foi da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, depois que o Ministério Público recorreu da sentença em primeira instância, na qual a parlamentar havia recebido uma pena de cinco anos e dez meses.






