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Prefeitura do Rio e Estado ampliam Programa Tolerância Zero na Zona Sul

Programa completa uma semana com prejuízo ao crime organizado que atua na orla da cidade.

A Prefeitura do Rio de Janeiro e o Governo do Estado anunciaram, na manhã desta segunda-feira (3), a expansão do Programa Tolerância Zero para combater a exploração ilegal e a criminalidade na Zona Sul. A partir desta quarta-feira (5) as ações de fiscalização e patrulhamento deixam de ficar restritas à faixa de areia e ao calçadão e passam a ocupar também todas as ruas de acesso às praias de Copacabana, Ipanema, Leme e Leblon. Entre os principais corredores que receberão o cerco estão a Avenida Nossa Senhora de Copacabana, a Avenida Rainha Elizabeth, a Rua Prudente de Moraes e a Avenida General San Martin.

A nova fase do projeto mobilizará um contingente diário de 1.435 agentes de segurança, composto por 843 policiais militares, 540 agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) e 52 guardas municipais. O principal objetivo é eliminar arrastões, coibir crimes de oportunidade — como furtos e roubos a pedestres —, proteger o transporte público e garantir a preservação do patrimônio e do ordenamento urbano.

A nova etapa terá blitzes diárias, itinerantes e em horários variados, voltadas especificamente para a fiscalização de motocicletas nos quatro bairros atendidos. De acordo com o secretário municipal de Ordem Pública, Marcus Belchior, relatórios de inteligência apontam que criminosos utilizam motos de forma massiva na dinâmica de assaltos na região, tornando essencial a fiscalização para identificar veículos irregulares e sufocar a mobilidade destas quadrilhas.

Durante o anúncio da expansão, as autoridades revelaram que episódios recentes de violência e desordem na Zona Sul foram articulados pelo crime organizado. Investigações conduzidas pela 12ª DP (Copacabana) confirmaram que o ataque que incendiou uma viatura da Seop na Praça Serzedelo Corrêa, na noite de 23 de julho, foi ordenado por traficantes da comunidade Pavão-Pavãozinho. O secretário de Estado de Segurança Pública, Victor Santos, informou que os envolvidos confessaram ter sido recrutados e pagos para executar o crime. Até o momento, três suspeitos foram identificados, dos quais dois já foram presos e um continua foragido. A polícia também investiga a relação dessas quadrilhas com o tumulto iniciado no Arpoador no dia 21 de julho.

Além da segurança pública direta, o programa atua no combate ao comércio ambulante ilegal. De acordo com a Seop, as primeiras etapas do projeto na areia já geraram um prejuízo superior a R$ 655 mil por mês para os responsáveis pelas atividades irregulares. O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, destacou que o comércio ilegal na orla funciona como uma atividade econômica altamente estruturada, com escala, padronização e logística de distribuição que geram receitas significativas para milícias e o tráfico.

Desde o lançamento do Tolerância Zero, em 16 de julho, as forças de segurança mapearam mais de 22 depósitos clandestinos de mercadorias no entorno dos bairros. No balanço mais recente das operações, foram apreendidas 15 toneladas de equipamentos, como carroças e estruturas de armazenamento, e destruídos 55 quilos de alimentos impróprios para o consumo. As delegacias da Zona Sul reforçaram que continuarão monitorando de forma permanente os oito quilômetros da orla marítima para identificar e prender todos os envolvidos na cadeia logística do crime organizado na região.