A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro estourou uma fábrica clandestina de linha chilena na Estrada do Cafundá, na Taquara, em Jacarepaguá. A operação, conduzida por agentes da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), resultou na prisão em flagrante de cinco pessoas. O laboratório clandestino, de grande porte, produzia grande quantidade do material, cuja fabricação, venda, posse e uso são proibidos em todo o território fluminense.
No local, foram apreendidos maquinários industriais, carretéis e diversos produtos químicos utilizados para conferir o poder altamente cortante ao fio. Todo o material foi confiscado e levado para a Cidade da Polícia, na Zona Norte do Rio.
De acordo com os investigadores, os detidos responderão por crime ambiental, com penas que podem chegar a quatro anos de reclusão. Um dos homens capturados já possuía histórico criminal pelo mesmo delito. Esta é a segunda fábrica de linhas cortantes desativada pela polícia na região de Jacarepaguá em um intervalo de apenas quatro meses — a anterior, fechada em maio, funcionava como polo distribuidor para outros estados do país.
Histórico de tragédias acelera investigações
A investida policial contra o comércio ilegal de linhas de pipa foi intensificada após uma sequência de acidentes fatais que chocaram o Rio de Janeiro. No final de agosto, o coronel reformado do Exército Álvaro Roberto Cruz Ferreira Lima morreu após o parapente que pilotava ter as linhas rompidas por um fio cortante na Praia de São Conrado. O equipamento entrou em parafuso e caiu no mar; o militar foi socorrido, mas não resistiu.
Em abril, o administrador de empresas Leandro Rezende Cardoso, de 45 anos, também perdeu a vida ao ser atingido gravemente no pescoço por uma linha chilena enquanto pilotava sua moto em Cascadura, na Zona Norte.
A linha chilena é 4 vezes mais perigosa e cortante do que o cerol tradicional. Motociclistas, ciclistas e praticantes de voo livre são os alvos mais vulneráveis.
A Polícia Civil reitera que o cerol e a linha chilena permanecem proibidos por lei no estado. O anonimato de quem denuncia fábricas ou pontos de comercialização é totalmente garantido pelos canais oficiais de segurança.






