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PF vai analisar dois celulares de Jaques Wagner para apurar ligação do senador com o caso Master

Senador nega irregularidades e diz estar “absolutamente tranquilo”

A Polícia Federal cumpriu, nesta sexta-feira (19), mandados de busca e apreensão contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado Federal, no âmbito da nona fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master e a pessoas ligadas à instituição.

Durante a operação, os agentes apreenderam dois telefones celulares que estavam com o parlamentar. O objetivo da medida é aprofundar a análise sobre possíveis contatos entre Wagner e o empresário baiano Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro e um dos alvos centrais da investigação.

Os investigadores buscam verificar o conteúdo de mensagens e comunicações já parcialmente identificadas em aparelhos anteriormente apreendidos com Augusto Lima. A Polícia Federal também pretende apurar se existia interlocução direta entre o senador e Daniel Vorcaro, hipótese rejeitada por Wagner.

Além dos equipamentos eletrônicos, os policiais localizaram valores em moeda estrangeira vinculados ao parlamentar em endereços alvo da operação.

Segundo informações da investigação, foram encontrados US$ 49 mil em espécie em um quarto de hotel em Brasília ligado ao senador. Outros US$ 6,1 mil e 33,5 mil em moeda estrangeira foram localizados em um imóvel em Salvador.

Somadas, as quantias alcançam aproximadamente R$ 479 mil, de acordo com a cotação atual.

Após a operação, Jaques Wagner afirmou que os recursos têm origem conhecida e seriam resultado de diárias recebidas em viagens oficiais ao exterior, além de aquisições regulares de moeda estrangeira realizadas por intermédio de instituição bancária.

“Eu viajei para o exterior, mandei até levantar. E, de 2019 pra cá, eu recebi de diárias aproximadamente US$ 70 mil dólares, e outras vezes que eu fui viajar eu comprei via Banco do Brasil, onde eu tenho conta, dólares ou euro, para fazer a viagem. Então, eu não tenho nenhuma coisa para esconder”, afirmou o senador, em entrevista à BandNews.

Dados disponíveis no Portal da Transparência indicam que Wagner recebeu cerca de US$ 66,8 mil em diárias referentes a 27 viagens oficiais realizadas entre 2019 e 2026.

Senador nega qualquer irregularidade
Após a ação da Polícia Federal, o líder do governo buscou afastar suspeitas de envolvimento em qualquer esquema ilícito e afirmou não ter recebido recursos de investigados.

“Nunca recebi dinheiro de ninguém, muito menos do Master ou do Augusto Lima. Então, eu estou absolutamente à vontade”, disse ele, na entrevista.

O parlamentar também declarou estar “absolutamente tranquilo” diante do avanço das investigações e afirmou confiar no esclarecimento dos fatos ao longo do processo.