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PF deflagra mais uma fase da Operação Unha e Carne

Entre os alvos estão o pastor Marcio Poncio, o contraventor Adilsinho e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar.

reprodução

Na manhã desta quinta-feira, 2/7, a Polícia Federal deflagrou a quinta fase da Operação Unha e Carne com o objetivo de aprofundar apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo “capo” da nova cúpula do jogo do bicho e possível ramificação do esquema junto a integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio de Janeiro.

Na ação de hoje, policiais federais cumprem cumprem três mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF em endereços vinculados aos investigados, nas cidades do Rio de Janeiro e São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Além disso, o STF determinou o sequestro de bens e valores até o montante de cerca de R$ 22 milhões.

Esta nova fase teve início após a apreensão de listas em poder do conhecido contraventor indicarem a existência de registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais. As listas chamaram a atenção dos investigadores por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do Estado do Rio de Janeiro.

As investigações prosseguem com a análise do material apreendido, a identificação do fluxo financeiro investigado e a apuração da participação de eventuais beneficiários, intermediários e operadores do esquema.

A ação se insere no contexto da decisão do STF no âmbito do julgamento da ADPF 635/RJ (ADPF das Favelas) que, dentre outras providências, determinou que a Polícia Federal conduzisse investigações sobre a atuação dos principais grupos criminosos violentos em atividade no estado e suas conexões com agentes públicos.

A investigação teve início em dezembro de 2025. Na primeira fase, Rodrigo Bacellar, então presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), foi apontado como suspeito de vazar informações da Operação Zargun para beneficiar o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, apontado como articulador político do Comando Vermelho.

Na segunda fase, a PF prendeu preventivamente o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). A suspeita é de que as informações tenham saído do Judiciário antes de chegarem aos investigados.

Em março deste ano, a terceira fase resultou em uma nova prisão de Bacellar, após a cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo a PF, o esquema de vazamentos teria comprometido operações de segurança pública relacionadas à ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas.