O Papa Leão XIV convocou, neste domingo (27), os bispos franceses a “perseverar” na prevenção e na reparação das agressões sexuais contra menores no seio da Igreja, horas antes de se reunir com sete vítimas em Lourdes, no sudoeste da França. A Igreja na França vem sendo abalada há anos por revelações de agressões sexuais em seu meio. Em 2021, um relatório encomendado por bispos e religiosos estimou em até 330 mil o número de vítimas menores de idade desde 1950.
— Nos últimos anos, vocês enfrentaram com determinação o doloroso flagelo dos abusos contra menores (…) É necessário perseverar no caminho iniciado, mantendo a máxima vigilância — afirmou diante da Conferência Episcopal Francesa, segundo o Vaticano.
O Pontífice recordou as “medidas corajosas” adotadas “por meio da escuta, da busca pela verdade, da justiça, do perdão e da reparação” e reconheceu que a Igreja na França viveu momentos “muito difíceis”.
Após o relatório contundente de 2021, o Papa Francisco expressou sua “imensa dor” e convocou a Igreja francesa a “empreender um caminho de redenção”. Rapidamente, os bispos criaram uma instância independente destinada ao reconhecimento e à reparação das vítimas.
No entanto, os escândalos continuaram. Acusações de violência sexual atingiram também o falecido Padre Pierre, um símbolo popular da luta contra a exclusão, e houve denúncias de agressões em colégios católicos, como o de Betharram, no sudoeste da França. As palavras de Leão XIV, que ainda não havia se pronunciado sobre as agressões desde que chegou à França na sexta-feira (25), eram muito aguardadas, sobretudo porque ele deve se reunir em particular, à tarde, em Lourdes, com sete vítimas — um formato que gerou insatisfação.
Grupos de vítimas criticaram o fato de não terem sido recebidos, e as sete pessoas convidadas chegaram a alertar, em um comunicado, que “dialogar não significa avalizar” e que “ser recebido não significa abrir mão” de suas “exigências”.
Esse formato já havia sido utilizado durante sua visita à Espanha, em julho, quando ele pediu “verdade, justiça e reparação”.






