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Operação do MPRJ mira ex-secretária estadual de educação por suspeita de desvio de recursos

Apuração aponta suspeitas de direcionamento de contratos para empresas responsáveis por reformas de escolas da rede estadual

reprodução

O Ministério Público do Rio e a Polícia Civil realizam a Operação Escola de Papel, que investiga suspeitas de fraude, desvio de dinheiro público, lavagem de dinheiro e organização criminosa em contratos da Secretaria Estadual de Educação.

São cumpridos 18 mandados de busca e apreensão contra quatro alvos. Entre eles está a ex-secretária estadual de Educação Roberta Barreto de Oliveira, que comandou a pasta durante o governo Cláudio Castro e deixou o cargo no início deste ano.

Também são alvos Yuri Lopes Fonseca Ormond, genro da ex-secretária; David Andrade Marinho Filho, ex-subsecretário de Gestão Administrativa da secretaria; e Fábio Martins Pereira, apontado pelos investigadores como operador financeiro do esquema.

Segundo o Ministério Público, a investigação começou a partir de informações do COAF sobre movimentações financeiras consideradas atípicas. A apuração aponta suspeitas de direcionamento de contratos para empresas responsáveis por reformas de escolas e outros serviços na rede estadual.

Segundo os investigadores, o prejuízo apurado pode chegar a R$ 1,6 bilhão.

Uma das empresas investigadas é a MCK Reformas e Construções, que, segundo o MP, teria recebido cerca de seis milhões de reais em contratos.

Os investigadores também identificaram um saque de 500 mil reais em espécie, realizado em janeiro deste ano. Segundo a apuração, o veículo utilizado pela pessoa que fez o saque estaria ligado ao genro da ex-secretária.

A investigação ocorre paralelamente a auditorias do Governo do Estado que apontaram indícios de irregularidades em contratos de obras e serviços da rede estadual de ensino. Segundo os levantamentos, os contratos sob suspeita podem chegar a um bilhão e seiscentos milhões de reais.

A Operação Escola de Papel segue em andamento, e os investigados são alvo de apuração. Até o momento, não há condenação relacionada às suspeitas investigadas.

Detalhes do caso: Rede de contratos
De acordo com as investigações, licitações teriam sido direcionadas pela secretaria para a empresa MCK Reformas e Construções Ltda, que recebeu cerca de R$ 6 milhões em contratos. Desse total, aproximadamente R$ 4 milhões teriam sido repassados a Fabio Martins Pereira, proprietário da Virtual Construtora Ltda.

A investigação também aponta que, em 16 de janeiro deste ano, Marcos José Mendes Ferreira, dono da MCK Reformas, foi flagrado sacando R$ 500 mil em espécie em uma agência bancária de Duque de Caxias.

Segundo os investigadores, o veículo usado para transportar o dinheiro estava registrado em nome de Yan Lopes Fonseca Ormonde André, irmão de Yurie. A apuração também indica que o policial militar que fazia a escolta dos valores mantinha sociedade empresarial com o pai deles.

Ainda de acordo com o Ministério Público e a Polícia Civil, somente em 2025 a MCK Reformas recebeu mais de R$ 11 milhões em recursos públicos, boa parte sacada em dinheiro vivo.

Os investigadores afirmam que a empresa funcionava em endereço residencial, não possuía empregados registrados nem apresentava histórico compatível com a execução de grandes obras, apesar de ter sido contratada para reformas milionárias em escolas estaduais.

Os investigados são alvo de apuração por suposto direcionamento de contratação pública, desvio de dinheiro público, lavagem de dinheiro e organização criminosa.