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OMS Alerta para 1,5 Milhão de Mortes por Alimentos Contaminados

Bactérias, vírus e parasitas responderam por cerca de 860 milhões dos casos registrados.

Foto: Reprodução

Os alimentos contaminados continuam representando uma das maiores ameaças à saúde pública mundial. Um novo levantamento divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) revela um cenário alarmante: cerca de 866 milhões de pessoas adoecem todos os anos devido ao consumo de comida contaminada. O impacto mais devastador desse panorama é a perda de vidas, já que aproximadamente 1,5 milhão de pessoas morrem anualmente em consequência dessas enfermidades.

Os dados, divulgados nesta quarta-feira, traçam um panorama abrangente sobre o impacto humano, social e econômico das doenças transmitidas por alimentos. Segundo a OMS, a maior parte dessas ocorrências poderia ser evitada com a aplicação de medidas relativamente conhecidas e acessíveis. As soluções passam pela ampliação do acesso à água potável, melhorias no saneamento básico, adoção de boas práticas de higiene e o fortalecimento constante dos sistemas de vigilância sanitária, além da aplicação rigorosa de métodos seguros de processamento em toda a cadeia produtiva alimentar.

O relatório também chama a atenção para os impactos desproporcionais sobre crianças pequenas, que figuram entre os grupos mais vulneráveis aos riscos associados à contaminação. A análise detalhada da OMS mostra que os perigos de origem biológica continuam sendo os responsáveis pela maior parte das doenças transmitidas por alimentos no planeta. Como base de comparação, em 2021, bactérias, vírus e parasitas responderam por cerca de 860 milhões dos casos registrados.

Apesar da predominância biológica nos contágios, os contaminantes químicos apresentaram um impacto desproporcional sobre a mortalidade global. Segundo o levantamento, impressionantes 73% das mortes associadas a alimentos contaminados tiveram relação direta com exposições químicas. Grande parte desses óbitos foi atribuída especificamente ao arsênio inorgânico e ao chumbo. O arsênio respondeu por cerca de 42% das mortes relacionadas a contaminantes químicos, enquanto o chumbo esteve associado a 31% dos óbitos. A OMS destaca que essas substâncias nocivas aumentam significativamente o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, tumores cancerígenos e outras enfermidades crônicas graves.