Rodrigo Bacellar será transferido de presídio federal para unidade prisional no Rio de Janeiro
Estado
Rodrigo Bacellar será transferido de presídio federal para unidade prisional no Rio de Janeiro
Trens terão mudanças na circulação neste domingo por causa de serviços de limpeza na via
Rio de Janeiro
Trens terão mudanças na circulação neste domingo por causa de serviços de limpeza na via
Senado marca votação da PEC da Segurança Pública para terça-feira
Política
Senado marca votação da PEC da Segurança Pública para terça-feira
Líder supremo do Irã ameaça reagir a novos ataques dos EUA e de Israel
Mundo
Líder supremo do Irã ameaça reagir a novos ataques dos EUA e de Israel
Vacinação contra meningite para pessoas de até 59 anos termina neste sábado no Rio
Rio de Janeiro
Vacinação contra meningite para pessoas de até 59 anos termina neste sábado no Rio
Tiroteio em Duque de Caxias termina com cinco presos e interdição de vias
Baixada Fluminense
Tiroteio em Duque de Caxias termina com cinco presos e interdição de vias
Moraes manda soltar desembargador investigado na Operação Unha e Carne
Estado
Moraes manda soltar desembargador investigado na Operação Unha e Carne

MPRJ denuncia chefe do CV por barricadas em Itaboraí usando Lei Antifacção

Lei Antifacção foi sancionada em 24 de março de 2026 e criou o novo Marco Legal de Combate ao Crime Organizado

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou Pio Danton Rodrigues Filho, conhecido como Pio ou Piu e apontado como chefe do Comando Vermelho na comunidade do Apolo, em Itaboraí, por manter barricadas nos acessos à região. Segundo o órgão, é a primeira vez que a Lei Antifacção é utilizada para enquadrar esse tipo de estrutura como parte de um sistema de domínio territorial.

A denúncia aponta que as barreiras dificultavam a atuação das forças de segurança e restringiam a circulação de moradores e veículos. O caso foi enquadrado como crime de domínio social estruturado, previsto na Lei 15.358/2026, que estabelece novas medidas de combate ao crime organizado.

A pedido do MPRJ, a juíza Viviane Ramos, da 2ª Vara Criminal de Itaboraí, decretou a prisão preventiva de Pio no dia 7 de agosto. Para o crime atribuído ao acusado, a legislação prevê pena de 20 a 40 anos de prisão.

A denúncia foi elaborada a partir de um relatório da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MPRJ, que analisou imagens registradas por drones. Os registros mostram acessos à comunidade bloqueados por vigas de metal, pneus, pedras, madeira, blocos de concreto e portões metálicos.

As estruturas foram identificadas em pontos como as ruas Geraldo Bernardo da Costa, Alcebíades da Rocha e Arnóbio de Almeida, além da Estrada Velha de Guaxindiba.

Segundo o Ministério Público, a disposição das barricadas indicaria uma estratégia de controle territorial e teria como objetivo dificultar operações policiais.

O órgão afirma que o domínio exercido pelo grupo também envolveria a imposição de regras de convivência, intimidação de moradores, cobrança de valores, controle de atividades econômicas e restrições à circulação de pessoas e veículos.

O relatório do MPRJ também identificou inscrições relacionadas ao Comando Vermelho e à chamada “Tropa do Piu”, grupo que, de acordo com a denúncia, estaria subordinado a Pio. Uma das pichações faz referência ao 35º BPM, responsável pelo policiamento da região.

Segundo o promotor Paulo Sally, a nova legislação permite responsabilizar integrantes apontados como líderes das organizações criminosas. Para ele, a análise das estruturas utilizadas para controlar territórios pode contribuir para identificar quem determina e mantém esse tipo de sistema.

O MPRJ afirma que Pio já esteve relacionado a pelo menos 16 ocorrências envolvendo organização criminosa, tráfico de drogas, associação para o tráfico e homicídios. O acusado também possui condenações anteriores por tráfico de drogas, corrupção ativa, homicídio qualificado e corrupção de menores.

O promotor Paulo Sally explicou que o crime de domínio social estruturado pode ser caracterizado quando serviços públicos ou concessionárias enfrentam dificuldades para acessar determinadas áreas ou precisam de autorização de lideranças criminosas para atuar.

Para o procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, as barricadas passam a fazer parte do núcleo da acusação quando são utilizadas como instrumento de controle territorial.

O MPRJ avalia que a interpretação poderá ser aplicada em outras investigações envolvendo organizações criminosas no Rio de Janeiro e em outros estados.

No fim de julho, mais de 250 integrantes do Ministério Público participaram de uma reunião para discutir a aplicação da nova legislação. A instituição considera a denúncia contra Pio uma iniciativa pioneira no país por buscar responsabilizar não apenas quem instala as barricadas, mas também quem determina ou mantém o sistema de bloqueios.

A Lei Antifacção foi sancionada em 24 de março de 2026 e criou o novo Marco Legal de Combate ao Crime Organizado. Entre as medidas previstas estão o endurecimento das punições para facções e milícias que exercem controle territorial e a determinação de que líderes de organizações criminosas cumpram pena, obrigatoriamente, em presídios federais.