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Ministério Púbico Eleitoral endurece cerco contra candidatos com ligação ao crime organizado

Nova orientação permitirá uso de provas de investigações para contestar candidaturas suspeitas e tentar barrar a influência de facções nas eleições

Foto: Edilson Rodrigues|Agência Senado

O Ministério Público Eleitoral prepara uma nova estratégia para impedir que pessoas ligadas ao crime organizado disputem cargos públicos. A proposta prevê orientar promotores e procuradores de todo o país a utilizar provas obtidas em investigações criminais para contestar registros de candidatura de políticos suspeitos de envolvimento com facções, mesmo sem condenação definitiva.

A medida está sendo elaborada pelo Grupo de Trabalho de Combate ao Crime Organizado no Âmbito Eleitoral e deverá integrar um manual de orientação para as eleições deste ano. A avaliação do MP é que a Justiça Eleitoral pode agir de forma preventiva quando houver um conjunto consistente de indícios que apontem vínculos entre candidatos e organizações criminosas.

Entre as provas que poderão ser utilizadas estão depoimentos judiciais, imagens de câmeras de segurança, registros de monitoramento policial, documentos de investigações, mensagens apreendidas e outros elementos que indiquem proximidade com grupos criminosos.

A orientação também prevê uma análise mais ampla da vida dos candidatos, incluindo relações empresariais, patrimoniais, familiares e até publicações em redes sociais. O objetivo é identificar possíveis conexões com facções e impedir que o crime organizado amplie sua influência dentro das instituições públicas.

A iniciativa foi inspirada em decisões recentes da Justiça Eleitoral e em casos registrados em estados como Rio de Janeiro e Amapá, onde candidaturas foram questionadas ou barradas por suspeitas de ligação com organizações criminosas. Segundo o Ministério Público, a meta é fortalecer a integridade do processo eleitoral e dificultar a entrada de representantes do crime na política.