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Lula liga para Trump e conversa sobre tarifaço

O interesse do Brasil em cooperar com Washington no enfrentamento ao crime organizado também foi tema da conversa

Foto: Reprodução

O presidente Lula ligou na manhã desta sexta-feira para o presidente dos Estados Unidos e disse que as alegações dos Estados Unidos de impor tarifas a produtos brasileiros são “infundadas”. O novo tarifaço foi determinado a partir de investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

Na ligação que durou cerca de 1 hora e 20 minutos, Lula disse à Trump que seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países e reiterou a importância de trabalhar juntos para que os Estados Unidos continuem sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil.

O Palácio do Planalto informou que a ligação ocorreu em um “tom amistoso e cordial” e que Trump “concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível”.

Na ligação, Lula reiterou o interesse brasileiro na cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado e o Brasil tem instrumentos para enfrentar essas organizações sem precisar de classificação especial para designá-las.

O Planalto informou que o presidente brasileiro citou a estratégia de atacar o sistema financeiro das facções, que já gerou a apreensão de cerca de R$ 17 bilhões. Lula ainda comentou com Trump sobre a aprovação da Lei Antifacção, que facilita a apreensão de bens e passaportes, além da PEC que amplia o papel do governo federal na área de segurança pública em colaboração com os Estados da federação. Também mencionou a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, que reúne oficiais de todos os países amazônicos.

O Planalto informou que Trump se dispôs a reforçar a cooperação bilateral e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para acompanhar os desdobramentos nessa área.

Os dois presidentes ainda trataram impressões sobre os principais conflitos globais, em especial as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. E concordaram sobre a urgência de encontrar uma solução negociada para o conflito entre Rússia e Ucrânia, que já se estende por quase cinco anos.

O governo brasileiro disse que Trump comentou sobre as perspectivas de resolução do conflito com o Irã e que Lula lamentou a inoperância do Conselho de Segurança da ONU e, a exemplo do que sugeriu aos presidentes Xi Jinping e Putin, propôs a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para encontrar saídas diplomáticas para as crises atuais. O presidente Lula afirmou que “os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos”.