Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25), ao derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2026. Aos 80 anos, o petista conquista seu quarto mandato à frente do Palácio do Planalto e governará o país por mais quatro anos, de 2027 a 2030.
Lula recebeu 64 milhões de votos, enquanto Flávio obteve 59 milhões. O resultado foi declarado às 21h08 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Foi um movimento histórico de virada, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que foi reeleito presidente da República para o quarto mandato, com mais de 51% dos votos válidos, após ser derrotado no primeiro turno para o senador Flávio Bolsonaro (PL).
A vitória representa uma reversão do resultado da primeira etapa da disputa. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 99,99% das urnas apuradas, o senador somava 56.104.268 votos, contra 53.876.617 do presidente — diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
Estados onde Lula (PT) venceu
A grande base de Lula nesta eleição foi o Nordeste, que garantiu a virada no segundo turno (como o próprio Haddad citou ao votar). Lula também manteve vantagem em estados do Norte e em Minas Gerais.
Nordeste (Todos os 9 estados): Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia (estado crucial, onde houve a disputa judicial sobre a frota de ônibus).
Norte: Pará, Amazonas (onde Omar Aziz, aliado de Lula, foi eleito governador), Amapá, Roraima, Acre e Tocantins.
Sudeste: Minas Gerais e o município de São Paulo (a capital, onde Lula venceu por 46% a 42%).
Voto no Exterior: Apesar de Flávio ter vencido no Japão, Lula teve ampla vantagem em países como Portugal, Alemanha, Reino Unido e China.
Mobilização nas ruas marcou o segundo turno
A busca pela virada levou apoiadores de Lula a intensificar a campanha nas ruas e nas redes sociais. Estudantes, movimentos sociais, artistas e lideranças políticas participaram de manifestações, caminhadas e ações para conquistar eleitores nas semanas que antecederam a votação. Em 13 de outubro, atos favoráveis à reeleição foram registrados em Brasília, São Paulo e em pelo menos outras nove capitais.
Na véspera do segundo turno, a mobilização alcançou ao menos 58 cidades, em 24 unidades da Federação, segundo levantamento do Poder360. A programação incluiu caminhadas, carreatas e concentrações. Lula participou de um ato em Copacabana, na Zona Sul do Rio, pela manhã, e de uma caminhada na Avenida Paulista, em São Paulo, à tarde.
Além de buscar novos votos, a campanha concentrou esforços em estimular o comparecimento às urnas. Aliados apostaram no contato direto com indecisos e com pessoas que haviam votado em branco, anulado ou deixado de participar do primeiro turno.
Da infância em Pernambuco à liderança sindical
Nascido em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns, Pernambuco, Lula migrou ainda criança com a família para São Paulo. De origem pobre, começou a trabalhar na adolescência e se formou torneiro mecânico pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
Sua projeção pública começou no movimento sindical do ABC paulista. Em 1975, assumiu a presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema e se tornou uma das principais lideranças das greves do fim da década de 1970, durante a ditadura militar.
Em 1980, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores. Também atuou na campanha pelas Diretas Já e foi eleito deputado federal constituinte por São Paulo em 1986, com a maior votação do país para o cargo naquele pleito.
Derrotas eleitorais e chegada à Presidência
Lula disputou a Presidência em 1989, 1994 e 1998 antes de vencer a eleição de 2002. Tomou posse em janeiro de 2003 e foi reeleito em 2006, permanecendo no cargo até o fim de 2010.
Sua trajetória também passou pelos processos da Operação Lava Jato. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações impostas pela Justiça Federal de Curitiba, ao reconhecer que aquela vara não tinha competência para julgar os casos.
Em 2022, Lula voltou a vencer uma eleição presidencial, ao derrotar Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno. Naquele pleito, recebeu 60.345.999 votos, equivalentes a 50,9% dos votos válidos, e retornou ao Planalto em janeiro de 2023 para seu terceiro mandato.
Com a nova vitória, o ex-metalúrgico amplia uma trajetória política iniciada nas lutas sindicais e assegura mais um mandato na Presidência da República.





