O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve participar, na próxima semana, da cerimônia de promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A presença ainda depende da agenda presidencial, mas aliados defendem que ele compareça ao Senado para reforçar a associação entre a medida e o governo em meio à campanha pela reeleição.
Na última semana antes do segundo turno, Lula deverá viajar pelo país, o que pode dificultar sua participação no Congresso. Ainda assim, interlocutores do presidente avaliam que a presença na cerimônia permitiria destacar a aprovação da proposta como um resultado político relevante.
A PEC foi aprovada pelo Senado na noite de quarta-feira, com 75 votos favoráveis e um contrário. Após a proclamação do resultado, pessoas que acompanhavam a sessão entoaram o coro “olê, olê, olá, Lula, Lula”.
Integrantes da equipe de comunicação da campanha presidencial estavam no plenário e gravaram imagens que poderão ser utilizadas no horário eleitoral. Lula já vinha defendendo o fim da escala 6×1, e aliados pretendem intensificar a divulgação da pauta durante a campanha.
A proposta é considerada uma das principais bandeiras eleitorais do presidente. Segundo pessoas próximas, o tema também poderá ser usado para marcar diferenças em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário na disputa presidencial.
Flávio Bolsonaro havia criticado a PEC e defendido uma alternativa baseada em jornadas flexíveis, negociadas entre trabalhadores e empregadores. O senador também atuou para adiar a votação.
Na véspera da análise, porém, declarou apoio à medida. Ele não compareceu presencialmente ao plenário durante a votação, mas registrou voto favorável de forma remota.
Segundo relatos de interlocutores do setor empresarial, o senador teria sinalizado que a proposta poderia ser revista pelo Congresso caso fosse eleito presidente da República.
Antes da votação, aliados também haviam aconselhado Lula a acompanhar a sessão presencialmente. A possibilidade dividiu integrantes do entorno presidencial.
Enquanto parte dos auxiliares defendia a presença para associar a aprovação da PEC ao governo, outros demonstravam preocupação com a possibilidade de parlamentares da oposição aproveitarem a ocasião para fazer críticas ao presidente.
A decisão final sobre a participação na cerimônia de promulgação deverá considerar os compromissos de Lula na reta final da campanha eleitoral.






