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Linha Vermelha já foi fechada ao menos 8 vezes por ocorrências policiais este ano

Estudo do Instituto Fogo Cruzado aponta 113 tiroteios no entorno da via até 28 de setembro

reprodução

Uma das principais ligações entre o Rio, a Baixada Fluminense e o Aeroporto Internacional Tom Jobim, a Linha Vermelha convive com uma rotina de tiroteios, bloqueios provocados por criminosos e assaltos. Somente em 2026, foram registrados 113 confrontos armados no entorno da via, deixando 78 pessoas baleadas até 28 de setembro.

Os números fazem parte de levantamento do Instituto Fogo Cruzado feito a pedido do jornal O Globo. Embora a quantidade de tiroteios tenha diminuído 7% na comparação com o mesmo período de 2025, quando houve 122 registros, o total de pessoas atingidas por disparos seguiu a direção oposta. Mortos e feridos passaram de 69 para 78, crescimento de 13%.

O cenário ganha dimensão ainda maior pela importância da RJ-071 para a mobilidade metropolitana. Cerca de 90 mil veículos circulam diariamente pela Linha Vermelha, que também funciona como uma das principais rotas de acesso ao aeroporto internacional da cidade.

Maré lidera número de tiroteios
O Complexo da Maré aparece como a área com maior concentração de ocorrências nas proximidades da Linha Vermelha. Foram 35 tiroteios neste ano, com 31 pessoas baleadas.

Na sequência está Cordovil, onde ocorreram 23 episódios e 19 pessoas foram atingidas. Vigário Geral aparece com 17 registros de violência armada e cinco baleados.

A situação nas comunidades próximas acaba produzindo reflexos diretamente sobre quem utiliza a via expressa. Em 2026, a Linha Vermelha já foi interditada pelo menos oito vezes em consequência de ocorrências policiais.

Em duas dessas ocasiões, criminosos tentaram bloquear o trânsito em represália a operações das forças de segurança.

No início de maio, a Polícia Militar fechou as pistas depois que criminosos lançaram objetos na via durante uma reação a uma operação realizada na região da Maré controlada pelo Comando Vermelho (CV).

Em 24 de agosto, foi a vez de a PM interromper preventivamente a circulação por aproximadamente 30 minutos, durante a madrugada, enquanto policiais realizavam uma incursão no Complexo de Israel.

Ônibus com estudantes são abordados
O episódio mais recente ocorreu na manhã de segunda-feira, quando criminosos abordaram três ônibus que transportavam estudantes de um colégio particular na altura do Parque das Missões.

A ação ocorreu durante uma operação policial na região controlada pelo Terceiro Comando Puro (TCP), no Complexo da Maré, e foi apontada como uma retaliação à presença das forças de segurança.

A utilização de vias importantes da cidade como instrumento de reação a operações não está restrita à Linha Vermelha. A prática vem sendo registrada tanto em áreas sob domínio do CV quanto em regiões controladas pelo TCP.

O avanço desse tipo de ocorrência levou a Polícia Militar a estabelecer novos protocolos para operações nas proximidades das vias expressas. As medidas foram adotadas depois que três pessoas morreram baleadas ao passar pela Avenida Brasil durante uma ação policial no Complexo de Israel, em outubro de 2024.

Investigações sobre aquele episódio apontaram que integrantes do TCP, sob ordem do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, teriam promovido ataques contra pessoas sem relação com a operação. A estratégia, segundo as investigações, teria como objetivo pressionar as forças de segurança a deixar a comunidade.

Assaltos e deslocamentos de criminosos
Os riscos para motoristas e passageiros na Linha Vermelha não estão limitados aos confrontos. Roubos de veículos, celulares e outros pertences também fazem parte das ocorrências registradas ao longo da via, especialmente em momentos de congestionamento.

No fim de julho, por volta das 7h15, um passageiro que havia deixado o Aeroporto Internacional do Galeão foi abordado por um criminoso armado com uma pistola na altura da Maré. O assaltante levou os celulares da vítima e do motorista, além de alianças e outros objetos pessoais.

As vias expressas também aparecem no radar das forças de segurança como possíveis rotas para o deslocamento de grupos armados envolvidos em disputas territoriais.

No mês passado, um documento interno da Polícia Militar alertou para movimentações de traficantes do Complexo do Alemão. Informações reunidas pela corporação indicavam que criminosos poderiam estar usando a Linha Vermelha e a Avenida Brasil para chegar a Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, com o objetivo de realizar ataques no bairro Pantanal.

Segundo a PM, pelo menos 12 homicídios registrados no mês anterior poderiam estar relacionados aos confrontos entre integrantes do Comando Vermelho e do Terceiro Comando Puro.