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Líder supremo do Irã ameaça reagir a novos ataques dos EUA e de Israel

Mojtaba Khamenei determina resposta militar imediata e sem limites geográficos; Catar tenta mediar negociações entre Washington e Teerã

O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, ameaçou responder com força a qualquer novo ataque dos Estados Unidos ou de Israel. A declaração foi divulgada neste sábado (31), em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio e aos temores de uma nova escalada militar na região.

Em comunicado divulgado pelo gabinete do líder iraniano, Khamenei afirmou que as Forças Armadas do país devem estar preparadas para uma reação imediata e sem restrições geográficas. Segundo a nota, qualquer tipo ou nível de ameaça deverá receber uma resposta contundente.

Durante uma reunião com comandantes militares, o líder também determinou a atualização dos alvos estratégicos dos Estados Unidos e de Israel que poderiam ser atingidos em uma eventual retaliação. O encontro foi o primeiro divulgado publicamente com os principais comandantes militares iranianos desde o início da guerra, em fevereiro.

Em outra declaração, Khamenei afirmou que, caso os inimigos retomem os ataques militares ou terroristas, caberá às Forças Armadas iranianas e à população determinar quando e em quais condições o conflito terminará.

O Exército iraniano também advertiu que uma nova ofensiva norte-americana poderá ampliar a guerra para outras áreas do Oriente Médio.

Diplomacia tenta evitar retomada dos combates

Apesar das ameaças, iniciativas diplomáticas estão em andamento para evitar uma nova ofensiva. Representantes do Catar estiveram em Teerã na sexta-feira (30) para reuniões com autoridades iranianas. As conversas, que duraram mais de 12 horas, continuaram neste sábado, com articulações também em Doha.

Outra tentativa de aproximação envolve o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, que enviou uma carta ao responsável pela segurança nacional do Irã, Mohsen Rezaei. A correspondência, transmitida por intermediários catarianos, propõe a retomada de negociações diretas entre os dois países.

Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, Washington quer incluir o programa nuclear iraniano nas conversas, com compromissos de fiscalização internacional e esclarecimentos sobre o estoque de urânio enriquecido do país.

Teerã, por sua vez, condiciona avanços nas negociações ao levantamento do bloqueio marítimo norte-americano aos portos iranianos, à flexibilização de sanções econômicas e a garantias contra novos ataques.

O presidente Donald Trump afirmou que a carta enviada por Vance está relacionada também à entrada de suprimentos médicos no Irã, mas não detalhou o conteúdo das tratativas.

Trump avalia novas opções militares

O risco de uma nova ofensiva aumentou depois que o presidente norte-americano Donald Trump se reuniu, na quinta-feira (29), com o principal comandante militar dos Estados Unidos para avaliar possíveis ações contra o Irã. A informação foi divulgada pelo jornal The Wall Street Journal.

De acordo com a publicação, integrantes do governo Trump também alertaram países do Golfo Pérsico para se prepararem diante da possibilidade de novos ataques após as eleições legislativas norte-americanas, marcadas para 3 de novembro.

Na semana passada, Trump voltou a mencionar a possibilidade de uma nova operação militar contra os iranianos. Ele fez referência à chamada Operação Epic Fury, ofensiva conduzida pelos Estados Unidos e por Israel em fevereiro, que deu início à atual guerra.

Ataques no Estreito de Ormuz aumentam preocupação

A tensão também chegou ao Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte internacional de petróleo.

Neste sábado, autoridades iranianas relataram ataques contra duas embarcações pesqueiras ao sul da ilha de Qeshm. Segundo informações divulgadas pela imprensa estatal, pescadores ficaram feridos e houve desaparecidos. O governo iraniano atribuiu a ação aos Estados Unidos, mas a responsabilidade pelo ataque não foi confirmada de forma independente.

A região também registrou outros incidentes envolvendo embarcações comerciais. A agência britânica de monitoramento marítimo UKMTO informou sobre um ataque a um navio-tanque próximo à costa de Omã, na quinta-feira (29). A embarcação foi atingida por explosivos colocados no casco por um pequeno barco, provocando incêndio na casa de máquinas.

O Estreito de Ormuz é estratégico para o comércio mundial de energia, e qualquer interrupção prolongada da navegação pode provocar impactos no abastecimento e nos preços internacionais do petróleo.

Enquanto Teerã mantém as ameaças de retaliação e Washington avalia alternativas militares, países da região intensificam os esforços diplomáticos para impedir que o conflito volte a se expandir. Autoridades da Arábia Saudita e do Egito também defenderam a retomada da paz e alertaram para as consequências de uma nova rodada de confrontos.