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Levantamento aponta aumento em internações de motociclistas no Rio

Números quase dobram em seis anos e geram impacto superior a R$ 104 milhões aos cofres públicos

Reprodução

O número de motociclistas internados após acidentes de trânsito no Sistema Único de Saúde do Rio de Janeiro registrou um crescimento alarmante de 88,4% em apenas seis anos. Dados inéditos do Ministério da Saúde, divulgados pelo jornalista Lauro Jardim em O Globo, apontam que o total de hospitalizações saltou de 5.366 casos em 2019 para 10.113 em 2025.

Essa trajetória ascendente e contínua das ocorrências coloca uma pressão inédita sobre a rede pública de saúde e reflete o avanço acelerado da frota de motos nas ruas. O impacto financeiro dessa crise na saúde pública também atinge patamares expressivos, acumulando uma despesa total de R$ 104,6 milhões entre 2019 e junho de 2026.

Analisando a evolução ano a ano, o avanço das internações demonstra um crescimento contínuo que acompanhou o período pós-pandemia de forma implacável.

Em 2020, o estado contabilizou 5.495 internações, subindo para 6.646 em 2021 e alcançando a marca de 6.846 hospitalizações de motociclistas no ano de 2022. A curva de crescimento acentuou-se ainda mais nos anos seguintes, registrando 7.807 internações em 2023 e saltando para expressivos 9.152 casos em 2024.

No ano de 2025, o patamar ultrapassou a barreira dos 10 mil atendimentos hospitalares, fechando o período com 10.113 internações de motociclistas na rede pública. Mesmo considerando apenas o primeiro semestre, o ano de 2026 já acumulou 4.123 internações, sinalizando que a alta continuará pressionando os hospitais. Paralelamente ao aumento das hospitalizações, o levantamento oficial revela uma escalada igualmente preocupante e trágica no número de óbitos de motociclistas.

Em 2019, o estado registrou 305 mortes no trânsito envolvendo condutores de motocicletas, número que subiu para 348 em 2020 e 383 em 2021. A mortalidade seguiu subindo para 390 óbitos em 2022 e encerrou o ano de 2023 com 422 mortes decorrentes de graves acidentes viários.

Já em 2024, o total de vítimas fatais avançou para 470, tendo um salto expressivo em 2025, quando o Ministério da Saúde computou 610 óbitos no estado. No primeiro semestre de 2026, a estatística trágica já contabiliza 356 mortes de motociclistas, evidenciando que a letalidade nas ruas continua em patamares elevados.

O cenário global demonstra que a expansão do uso de motocicletas para trabalho e transporte urbano veio acompanhada de um ônus social profundo. Famílias inteiras enfrentam perdas irreparáveis e sequelas incapacitantes, enquanto o sistema hospitalar absorve uma demanda diária por leitos de trauma e cirurgias.

A gestão pública enfrenta o desafio urgente de implementar políticas eficazes de segurança viária e conscientização para conter essa epidemia de acidentes.