Rodrigo Bacellar será transferido de presídio federal para unidade prisional no Rio de Janeiro
Estado
Rodrigo Bacellar será transferido de presídio federal para unidade prisional no Rio de Janeiro
Trens terão mudanças na circulação neste domingo por causa de serviços de limpeza na via
Rio de Janeiro
Trens terão mudanças na circulação neste domingo por causa de serviços de limpeza na via
Senado marca votação da PEC da Segurança Pública para terça-feira
Política
Senado marca votação da PEC da Segurança Pública para terça-feira
Líder supremo do Irã ameaça reagir a novos ataques dos EUA e de Israel
Mundo
Líder supremo do Irã ameaça reagir a novos ataques dos EUA e de Israel
Vacinação contra meningite para pessoas de até 59 anos termina neste sábado no Rio
Rio de Janeiro
Vacinação contra meningite para pessoas de até 59 anos termina neste sábado no Rio
Tiroteio em Duque de Caxias termina com cinco presos e interdição de vias
Baixada Fluminense
Tiroteio em Duque de Caxias termina com cinco presos e interdição de vias
Moraes manda soltar desembargador investigado na Operação Unha e Carne
Estado
Moraes manda soltar desembargador investigado na Operação Unha e Carne

Incêndios no Amazonas disparam após eleições e atingem principalmente áreas privadas

Levantamento do Inpe aponta que 79,1% dos focos de calor registrados na primeira quinzena de outubro ocorreram em propriedades rurais cadastradas; órgãos ambientais investigam possíveis ações criminosas

Foto: Divulgação Ibama

Os incêndios que espalham fumaça por cidades do Amazonas, incluindo Manaus, estão concentrados principalmente em propriedades rurais privadas. Um levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), feito a pedido do g1, identificou que 79,1% dos 1.639 focos de calor registrados no estado entre 1º e 15 de outubro ocorreram em imóveis inscritos no Cadastro Ambiental Rural (CAR).

Os dados também mostram um aumento expressivo das queimadas a partir de 4 de outubro, data do primeiro turno das eleições. Um estudo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), que analisou 19 municípios das regiões metropolitana e central do estado, identificou uma alta acentuada dos registros nos dias seguintes à votação.

Entre 4 e 14 de outubro, foram registrados 5.598 focos de calor nesses municípios, número 37 vezes maior que os 149 identificados no mesmo período de 2025. O total também superou os 4.385 focos registrados em 2023, durante uma seca histórica na região.

Segundo o pesquisador Newton Monteiro, responsável pelo levantamento do Ipam, o aumento ocorreu de forma rápida e fora do padrão habitual. Normalmente, os focos crescem em agosto, atingem o pico em setembro e começam a diminuir no fim do mês. Em 2026, porém, os registros voltaram a subir no início de outubro.

 

Maioria dos focos ocorre em áreas desmatadas

O levantamento do Inpe também identificou que 52,8% dos focos ocorreram em áreas desmatadas nos últimos três anos. Outros 30,6% foram registrados em terrenos desmatados há mais tempo, enquanto 15,9% atingiram áreas de vegetação nativa.

Os dados indicam que boa parte das queimadas ocorre em terrenos já abertos, onde o fogo pode ser utilizado para limpar a terra ou renovar pastagens. Com a vegetação ressecada pela falta de chuva, as chamas podem sair do controle e alcançar áreas de floresta.

Entre agosto de 2025 e julho de 2026, o desmatamento na Amazônia atingiu 3.335 quilômetros quadrados, segundo os dados citados no levantamento.

 

Órgãos ambientais investigam possíveis crimes

O uso criminoso do fogo está entre as hipóteses investigadas pelas autoridades. Desde 9 de setembro, o governo do Amazonas mantém a proibição das queimadas no estado, mas os registros continuaram aumentando.

O presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Jair Schmitt, afirmou que uma das possibilidades é que pessoas tenham aproveitado o período eleitoral para ampliar os incêndios. Ele ressaltou, porém, que essa hipótese ainda precisa ser comprovada.

Em fiscalizações realizadas nas proximidades de Manaus, o Ibama autuou 19 pessoas, aplicou cerca de 2 milhões de reais em multas e embargou mais de 250 hectares de terras. As ações ocorreram em municípios como Autazes e Careiro da Várzea.

A Polícia Civil do Amazonas também instaurou mais de 120 procedimentos para investigar possíveis crimes relacionados ao uso do fogo. A Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) acompanham as suspeitas.

 

Estiagem agrava a situação

A falta de chuva contribui para a propagação das chamas. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Manaus acumulou apenas 104 milímetros de chuva desde julho, diante de uma previsão de 316 milímetros para o período.

No acumulado de janeiro a 14 de outubro, os 19 municípios analisados pelo Ipam somaram 15.674 focos de calor, volume 109% acima da média histórica para o período.

Apesar dos indícios levantados, a relação entre o aumento das queimadas e o período eleitoral ainda depende das investigações. Os dados apontam a concentração dos focos em áreas privadas e desmatadas, enquanto a estiagem favorece a propagação do fogo.