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Homem é preso após transformar empréstimo de R$ 30 mil em cobrança de R$ 1,3 milhão

Foragido, Marcelo Costa de Souza foi localizado no bairro do Catumbi, na Região Central do Rio

Agentes da 24ª DP (Piedade) prenderam, na tarde desta quarta-feira (19), um homem de 56 anos acusado de comandar um esquema violento de agiotagem e extorsão no Rio. Marcelo Costa de Souza estava foragido da Justiça e foi localizado no bairro do Catumbi, na Região Central do Rio.

De acordo com as investigações, Marcelo utilizava a fragilidade financeira de cidadãos para oferecer empréstimos. Pouco tempo depois, ele passava a aplicar taxas de juros astronômicas e ilegais, recorrendo a táticas terroristas de intimidação e agressões para tomar os bens e o patrimônio dos devedores.

Juros abusivos e ameaças de morte

O caso que motivou a prisão preventiva ilustra a agressividade do acusado. Uma das vítimas contraiu uma dívida inicial de R$ 30 mil com Marcelo. Em apenas 12 meses, sob a justificativa de quitação de juros, o agiota passou a exigir o pagamento de R$ 1,3 milhão — um aumento injustificável de mais de 4.000% sobre o valor original.

Para obrigar o pagamento da quantia milionária, o criminoso iniciou uma rotina intensa de perseguição contra a vítima e seus familiares.

“Para efetuar a cobrança, ele passou a praticar constrangimentos diversos, como ofensas verbais diárias, invasão e comparecimento surpresa à residência da vítima, além de ameaças explícitas de morte. Ele afirmava, inclusive, que contava com o apoio de terceiros armados para executar a cobrança caso o valor não fosse pago”, destacou a delegada Natacha Alves, titular da 24ª DP e responsável pelas investigações.

Os relatos colhidos pela equipe de inteligência da delegacia apontaram ainda que Marcelo já havia confiscado à força veículos, eletrônicos e outros bens de valor de diferentes vítimas como forma de amortizar as supostas parcelas em atraso.

“Aplicações” com terceiros

Levado para a sede da delegacia na Piedade, na Zona Norte, o acusado prestou depoimento e tentou minimizar a gravidade de suas ações. Marcelo admitiu formalmente aos policiais que realizava empréstimos de valores em dinheiro vivo mediante a cobrança de taxas de juros combinadas previamente. Em suas próprias palavras, ele afirmou que mantinha apenas “aplicações financeiras” com diversas pessoas na cidade.

O suspeito, no entanto, negou ter feito ameaças de morte ou usado de violência física contra os devedores. O argumento foi rebatido pelas provas testemunhais e técnicas reunidas pelos investigadores.

A Polícia Civil suspeita que o número de vítimas de Marcelo possa ser ainda maior e orienta que outras pessoas extorquidas pelo acusado procurem a 24ª DP para registrar novas denúncias. Marcelo Costa de Souza responderá pelos crimes de extorsão e agiotagem, e foi encaminhado ao sistema prisional do estado, onde permanecerá à disposição da Justiça.