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Grupo planejava explodir o Palácio do Planalto e visava debate presidencial do 2º turno

Grupo planejava atentados a bomba contra autoridades e prédios públicos, incluindo a sede do Poder Executivo

Uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), em conjunto com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), desmantelou uma rede terrorista doméstica que operava na internet. O grupo planejava atentados a bomba contra autoridades e prédios públicos na Capital Federal, incluindo a destruição da sede do Poder Executivo e um ataque coordenado contra o debate presidencial do segundo turno. A operação policial culminou no cumprimento de mandados de busca e apreensão em oito cidades de cinco estados diferentes, focando na apreensão de computadores, celulares e mídias digitais. Os alvos são investigados por associação criminosa, apologia e distribuição de material nazista, além de incitação ao crime.

A engrenagem do grupo funcionava por meio de uma estrutura de funil no aplicativo de mensagens Telegram para selecionar e radicalizar os membros. Na base da organização, um grupo geral com mais de 600 integrantes servia para a disseminação em massa de discursos de ódio, misoginia e propaganda neonazista, utilizando inclusive a foto de Adolf Hitler no perfil. Aqueles que demonstravam maior alinhamento ideológico e disposição para a violência extrema eram filtrados e convidados para um subgrupo restrito de 46 pessoas. Nesse ambiente fechado, o foco mudava inteiramente para o planejamento logístico, com o compartilhamento de manuais de coquetéis Molotov, cálculo de custos e dosagem de componentes químicos para a fabricação de explosivos de alto poder destrutivo.

As conversas interceptadas pelas autoridades revelaram que os integrantes, que nunca se encontraram pessoalmente, possuíam materiais detalhados sobre a Esplanada dos Ministérios. O principal objetivo era invadir e explodir o Palácio do Planalto para enviar uma mensagem violenta e antidemocrática ao país. O delegado responsável pelo caso revelou que os criminosos tinham mapas dos ministérios, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, chegando a compartilhar a própria planta baixa do Palácio do Planalto para planejar detalhadamente as rotas de entrada e saída. Outro plano central consistia em detonar artefatos no edifício que sediaria o debate presidencial do segundo turno das eleições, visando atingir diretamente os candidatos e desestabilizar o processo democrático.

Essas ações criminosas foram integralmente mapeadas pelo Ciberlab, o laboratório especializado em crimes cibernéticos do Ministério da Justiça. Um detalhe marcante da investigação é que as mensagens de forte cunho misógino propagadas pelo grupo foram monitoradas e compiladas justamente por policiais mulheres que integram a inteligência do laboratório. Apenas no decorrer de 2026, o Ciberlab já produziu 103 relatórios de inteligência que mapearam mais de 50 grupos de ódio distintos na internet brasileira.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, alertou que os planos estavam em estágio avançado de execução e não podem ser minimizados ou normalizados pela sociedade. O ministro declarou que não se tratava de práticas inocentes e que o extremismo ataca diretamente o pluralismo, exigindo vigilância constante de todos os cidadãos democratas. A Polícia Civil agora foca a investigação na perícia técnica dos computadores e celulares apreendidos para identificar o nível de financiamento do grupo e a possível existência de outras células ativas em solo nacional, agindo preventivamente para evitar a concretização dos atentados.