A dez dias do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, a disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) permanece indefinida. Pesquisa Palver, realizada entre 10 e 13 de outubro, aponta o candidato do PL com 50% das intenções de voto, contra 49% do atual presidente. A diferença de apenas um ponto percentual configura empate técnico, considerando a margem de erro máxima de 2,3 pontos percentuais.
O levantamento revela um eleitorado dividido não apenas nas intenções de voto, mas também na rejeição aos candidatos. Enquanto 50% afirmam que não votariam em Lula em nenhuma circunstância, 48% manifestam a mesma resistência a Flávio Bolsonaro.
A convicção dos eleitores também apresenta números semelhantes. Entre os entrevistados, 49% dizem que votarão com certeza em Flávio, enquanto 48% demonstram igual segurança na escolha por Lula.
Lula lidera entre eleitores que faltaram ao primeiro turno
Um dos principais trunfos eleitorais do presidente está entre os brasileiros que não compareceram às urnas em 4 de outubro. Nesse grupo, Lula aparece com 59% das intenções de voto, contra 28% de Flávio Bolsonaro.
A vantagem de 31 pontos percentuais indica potencial de crescimento para o petista, desde que sua campanha consiga mobilizar parte desse eleitorado para a votação decisiva.
O desafio, entretanto, não é simples. Entre os entrevistados que se abstiveram no primeiro turno, 37% justificaram a ausência por estarem viajando, enquanto 21% disseram possuir domicílio eleitoral em outro município.
Esses dados sugerem que dificuldades de deslocamento podem limitar a participação de eleitores que demonstram preferência pelo presidente.
Votos de candidatos derrotados dividem os dois presidenciáveis
A pesquisa também analisou o comportamento dos eleitores que escolheram outros candidatos no primeiro turno.
Entre os apoiadores de Augusto Cury (Avante), Lula concentra 64% das preferências, enquanto Flávio Bolsonaro registra 32%.
Já entre aqueles que votaram em Ronaldo Caiado (PSD), o cenário se inverte. Flávio lidera com 61%, contra 35% do presidente.
Os eleitores de Renan Santos (Missão) aparecem divididos: 41% declaram apoio a Lula e outros 41% preferem Flávio. Os 18% restantes pretendem votar em branco ou anular o voto.
Os resultados desses segmentos devem ser interpretados com cautela, uma vez que o número reduzido de entrevistas em cada grupo aumenta a incerteza das estimativas.
Maioria dos eleitores manteve o voto
Outro dado relevante do levantamento é a estabilidade das preferências eleitorais. Segundo a Palver, 95% dos entrevistados mantiveram a escolha que já haviam feito antes da última semana de campanha do primeiro turno.
Apenas 4% mudaram ou definiram o voto nesse período. Entre esses eleitores, 51% tomaram a decisão entre 27 de setembro e 2 de outubro, enquanto 20% escolheram o candidato no próprio domingo da votação.
O principal motivo para a mudança, citado por 23%, foi a percepção de que o candidato inicialmente escolhido não tinha chances de chegar ao segundo turno.
Outros 9% disseram ter alterado o voto para tentar encerrar a disputa já no primeiro turno. O mesmo percentual afirmou que mudou de preferência para impedir a vitória de um candidato rejeitado.
Debates e propaganda eleitoral foram apontados por 7% como fatores decisivos. Notícias e denúncias também receberam 7% das menções.
Como o grupo de eleitores que mudou de voto reúne menos de 200 entrevistas, esses percentuais apresentam limitações estatísticas e não permitem conclusões definitivas sobre o comportamento do eleitorado.
Pesquisa ouviu 5 mil pessoas
O levantamento Palver foi realizado entre 10 e 13 de outubro, com 5.000 participantes. O tamanho efetivo da amostra informado é de 1.783 entrevistados, com margem de erro máxima de 2,3 pontos percentuais.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08028/2026.
A metodologia utiliza uma amostra online não probabilística, com participantes recrutados por anúncios em redes sociais. Posteriormente, os resultados passam por um processo de calibração que considera a votação registrada no primeiro turno.






