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Famílias de pedreiros mortos por PMs dizem que indenização não encerra luta por justiça

Parentes de Marcelo e Edivan afirmam que compensação financeira não substitui a responsabilização dos policiais envolvidos na ação em São Gonçalo.

Foto: Érica Martin / O Dia

As famílias dos pedreiros Marcelo da Cruz Silva, de 41 anos, e Edivan Felipe de Assis, de 46, mortos durante uma ação policial em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, afirmam que a indenização anunciada pelo Governo do Estado não diminui a dor da perda nem substitui o desejo por justiça.

Os dois trabalhadores morreram após serem atingidos por disparos de policiais militares que, segundo as investigações, teriam confundido um equipamento de trabalho com um fuzil.

Irmão de Marcelo, Inaldo Vicente da Silva disse que pretende buscar orientações junto à Defensoria Pública sobre os procedimentos para receber a indenização, mas ressaltou que a principal reivindicação da família continua sendo a punição dos responsáveis.

“Nada paga a vida dele. Nenhum valor vai trazê-lo de volta. O que queremos é que os culpados sejam responsabilizados para que uma tragédia como essa não aconteça novamente”, afirmou.

A advogada da família, Camila Guimarães, informou que ainda não teve acesso oficial aos detalhes da proposta de indenização e destacou que qualquer decisão dependerá da análise completa dos termos apresentados pelo Estado. Segundo ela, a defesa também busca a condenação dos envolvidos no caso.

Do lado da família de Edivan, o sentimento é semelhante. A cunhada da vítima, Luciene dos Santos, afirmou que os parentes foram procurados pelo governo, mas que o foco da família continua sendo a responsabilização criminal dos policiais.

“Não estamos pensando em dinheiro. Queremos justiça e que todos os envolvidos sejam punidos”, declarou.

Na última sexta-feira, o governador em exercício, Ricardo Couto, determinou que a Procuradoria-Geral do Estado inicie os procedimentos para viabilizar o pagamento de indenizações às famílias.

Em nota, o Governo do Rio informou que as investigações serão conduzidas com rigor e transparência para esclarecer as circunstâncias da ocorrência. A Polícia Militar informou que os agentes envolvidos foram afastados das atividades nas ruas, enquanto a Corregedoria acompanha o caso.

A investigação está sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí.

*Informações O Dia