Um exame de sangue que identifica alterações biológicas associadas ao Alzheimer começou a ser oferecido nesta quinta-feira (15) no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS). Por enquanto, o teste está disponível apenas na unidade, na rede privada, por cerca de R$ 3 mil.
Indicado para pessoas com mais de 50 anos que apresentam sintomas e suspeita clínica da doença, o exame mede a proteína p-tau217. Seus níveis no sangue acompanham alterações relacionadas ao acúmulo de placas de beta-amiloide no cérebro, uma das marcas do Alzheimer.
O teste pode reduzir a necessidade de exames como a punção lombar e o PET, uma tomografia por emissão de pósitrons. Um resultado positivo, porém, não confirma sozinho que o paciente tenha demência causada pelo Alzheimer e precisa ser interpretado pelo médico.
A análise pode apresentar resultado positivo, negativo ou inconclusivo. Segundo Eduardo Zimmer, responsável pela implementação do exame no hospital, entre 15% e 20% dos testes podem ficar na faixa intermediária. Nesses casos, o especialista pode solicitar exames complementares ou repetir a análise após 12 meses.
O desempenho da plataforma Lumipulse, da fabricante Fujirebio, foi avaliado em um estudo publicado em 2025 na revista Nature Medicine, com 1.767 pessoas com sintomas cognitivos na Suécia, Espanha e Itália. Dependendo do critério adotado, a concordância com a análise do líquor chegou a 94%, embora parte dos resultados tenha permanecido inconclusiva.
A família de produtos usada no teste foi regularizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em agosto. O pedido do exame deve partir do médico que acompanha o paciente.
Ainda não há previsão de oferta pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o Ministério da Saúde, não foi apresentada solicitação de avaliação à Conitec, etapa necessária para incorporar a tecnologia à rede pública. O hospital pretende viabilizar a cobertura por planos de saúde ainda em 2026, mas não há confirmação de operadoras ou datas.






