O Partido Democrata conquistou a maioria nas duas casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições legislativas de meio de mandato, realizadas na terça-feira (3). O resultado, confirmado na madrugada desta quarta-feira (4), representa uma grave derrota para o presidente republicano Donald Trump, que perde o controle do Legislativo e terá de enfrentar uma oposição fortalecida nos próximos dois anos.
No Senado, os democratas alcançaram 54 das 100 cadeiras, superando as 51 necessárias para obter a maioria. Na Câmara dos Representantes, a legenda também ultrapassou o número mínimo de 218 deputados e chegou a 223 assentos, contra 132 dos republicanos. Outros 80 resultados ainda estavam pendentes na última atualização da apuração.
A votação, conhecida como midterms, alterou o equilíbrio de forças em Washington. Os democratas avançaram sobre distritos e estados tradicionalmente republicanos, enquanto candidatos apoiados diretamente por Trump foram derrotados em disputas importantes.
Democratas ampliam maioria na Câmara
Na Câmara dos Representantes, os democratas conquistaram 25 cadeiras que estavam sob controle republicano. As viradas ocorreram em disputas na Califórnia, Colorado, Iowa, Kentucky, Missouri, Carolina do Norte, Nebraska, Nova Jersey, Ohio, Pensilvânia e Virgínia.
Até a última atualização dos resultados, a composição parcial da Casa era de 223 deputados democratas e 132 republicanos, com 80 cadeiras ainda sem definição.
A Câmara americana tem 435 integrantes e é renovada integralmente a cada dois anos. Para controlar a Casa, um partido precisa conquistar pelo menos 218 assentos.
Partido também assume controle do Senado
A vitória democrata no Senado foi confirmada horas antes da consolidação do resultado na Câmara. A legenda chegou a 54 cadeiras, enquanto os republicanos conquistaram 42. Quatro vagas ainda aguardavam definição.
Entre os resultados que contribuíram para a mudança de controle estão vitórias democratas no Texas, na Carolina do Sul e em Ohio, estados nos quais os republicanos tinham posições políticas consolidadas.
No Texas, James Talarico derrotou Ken Paxton. Na Carolina do Sul, Annie Andrews venceu Darline Graham. Já em Ohio, Sherrod Brown derrotou o senador republicano Jon Husted.
As três disputas representaram derrotas para candidatos que receberam apoio de Trump durante a campanha.
Trump apoiou candidatos derrotados
O presidente republicano participou diretamente das campanhas de candidatos que não conseguiram conquistar as cadeiras em disputa.
No Texas, Trump apoiou Ken Paxton nas primárias republicanas contra o senador John Cornyn. Lideranças do partido haviam manifestado preocupação com a capacidade de Paxton de vencer a eleição geral.
Na Carolina do Sul, o presidente apoiou Darline Graham na disputa pela cadeira anteriormente ocupada por Lindsey Graham, que morreu inesperadamente. O candidato republicano também enfrentava questionamentos dentro do próprio partido sobre sua experiência.
Em Ohio, Trump visitou o estado diversas vezes para fazer campanha por Jon Husted, derrotado pelo democrata Sherrod Brown.
Os democratas também conquistaram uma cadeira na Carolina do Norte e mantiveram posições importantes em New Hampshire e na Geórgia.
Democratas vencem disputas na Geórgia e em New Hampshire
Na Geórgia, o senador democrata Jon Ossoff foi reeleito ao derrotar o deputado Mike Collins. O resultado impediu que os republicanos conquistassem uma cadeira considerada uma das principais oportunidades de avanço do partido.
Em New Hampshire, o deputado Chris Pappas venceu o ex-senador John Sununu e conquistou a vaga que será deixada por Jeanne Shaheen, que decidiu se aposentar.
Outros democratas também conseguiram a reeleição. Entre eles estão Cory Booker, em Nova Jersey, Ed Markey, em Massachusetts, e John Hickenlooper, no Colorado.
Em Illinois, Juliana Stratton foi eleita para substituir o senador democrata Dick Durbin.
Trump diz que aceitará derrota, mas sinaliza vetos
Após a confirmação da maioria democrata nas duas casas do Congresso, Trump afirmou, em entrevista ao jornal americano The New York Times, que aceitará o resultado das eleições e pretende buscar acordos com integrantes da oposição.
“Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados”, declarou o presidente.
Trump também afirmou que seu governo tentará estabelecer entendimentos com os democratas. “Vamos trabalhar com os democratas e esperamos colaborar com eles. Provavelmente chegaremos a algum entendimento”, disse.
Antes da votação, porém, o republicano havia colocado em dúvida o reconhecimento de uma eventual derrota, afirmando que só aceitaria os resultados caso as eleições fossem “limpas”.
Depois dos primeiros resultados negativos para seu partido, Trump publicou uma imagem de um boné vermelho com a palavra “veto”, sinalizando a estratégia que pretende adotar diante do Congresso controlado pela oposição.
Presidente ameaça barrar propostas dos democratas
Dias antes da eleição, Trump já havia antecipado que poderia utilizar o poder de veto para impedir a aprovação de projetos apresentados pelos democratas.
Em entrevista ao podcast Pod Force One, do New York Post, o presidente afirmou que poderia se tornar o “Sr. Veto”.
Segundo Trump, os democratas apresentariam propostas que seriam barradas pelo Executivo. Ele disse acreditar que, depois de algumas tentativas frustradas, os adversários políticos procurariam o governo para negociar acordos.
A nova composição do Congresso deve impor obstáculos à agenda presidencial, já que os democratas passam a controlar as duas casas legislativas.
Como funcionam as eleições de meio de mandato nos EUA
As eleições de meio de mandato, chamadas de midterms, são realizadas a cada quatro anos, sempre na metade do período presidencial, que nos Estados Unidos tem duração de quatro anos.
Diferentemente do Brasil, o Congresso americano tem renovação parcial e periódica. Todos os 435 integrantes da Câmara dos Representantes disputam novos mandatos a cada dois anos.
No Senado, os mandatos são de seis anos, mas aproximadamente um terço das cadeiras é colocado em disputa a cada eleição legislativa.
Em 2026, além das 435 vagas da Câmara, 35 das 100 cadeiras do Senado estavam em disputa. O resultado garantiu aos democratas o controle das duas casas pelos próximos dois anos, alterando a relação de forças entre o Legislativo e o governo de Donald Trump.






