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Coalizão vai monitorar ataques contra jornalistas nas eleições de 2026

Iniciativa acompanhará agressões, ameaças e restrições à liberdade de imprensa nas ruas e nas redes sociais até o 2º turno

reprodução

Ataques, ameaças e outras formas de hostilidade contra jornalistas durante as eleições de 2026 passarão a ser acompanhados de forma sistemática por organizações de defesa da liberdade de imprensa. A Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor) iniciou nesta segunda-feira (16) um monitoramento de episódios envolvendo profissionais e veículos de comunicação ao longo da campanha eleitoral.

O trabalho abrangerá tanto ocorrências registradas fora da internet quanto ataques no ambiente digital. O acompanhamento continuará até 27 de outubro, data prevista para a realização do segundo turno das eleições.

A proposta é reunir informações capazes de dimensionar as agressões e restrições enfrentadas por jornalistas durante o processo eleitoral, além de identificar características e padrões dos ataques.

No ambiente digital, o monitoramento terá como foco as plataformas X, Instagram e TikTok. As duas primeiras foram selecionadas por estarem entre as redes mais utilizadas por candidatos e outros atores políticos, enquanto o TikTok foi incorporado ao levantamento após o nível de toxicidade observado pela coalizão durante as eleições de 2024.

Candidatos e usuários das redes serão acompanhados
A análise das redes sociais contará com parceria técnica do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic), da Universidade Federal do Espírito Santo.

O levantamento acompanhará publicações feitas por candidatos à Presidência da República, aos governos estaduais e ao Senado que tenham como alvo jornalistas ou veículos de comunicação de atuação nacional e estadual.

O universo analisado, porém, não ficará restrito aos candidatos. Também serão consideradas publicações e comentários feitos por usuários das plataformas quando apresentarem hashtags, expressões ou outros conteúdos hostis ao exercício do jornalismo.

Já os episódios ocorridos fora do ambiente virtual serão reunidos a partir dos casos relatados às entidades que integram a CDJor.

A combinação das duas frentes pretende oferecer uma visão mais ampla das diferentes formas de pressão, intimidação e violência que podem atingir profissionais de imprensa durante a cobertura eleitoral.

Misoginia contra jornalistas mulheres terá análise específica
Uma das principais novidades do monitoramento de 2026 será o acompanhamento qualitativo de discursos misóginos direcionados especificamente a mulheres jornalistas.

A iniciativa pretende observar não apenas a quantidade de ataques, mas também as características dos discursos utilizados contra profissionais mulheres ao longo da campanha.

Com isso, a coalizão poderá identificar formas de violência direcionadas às jornalistas em razão do gênero, diferenciando esse tipo de conteúdo de críticas ou hostilidades de caráter mais geral contra profissionais e empresas de comunicação.

A inclusão dessa frente amplia o escopo do levantamento e procura identificar como ataques de natureza política podem se combinar com manifestações misóginas no ambiente eleitoral.

Boletins serão publicados a cada 15 dias
Os resultados do monitoramento não ficarão concentrados apenas em um balanço depois das eleições. A CDJor pretende divulgar boletins quinzenais com os principais dados coletados durante a campanha.

Também estão previstos dois relatórios analíticos mais abrangentes. O primeiro será divulgado ao término do primeiro turno, enquanto o segundo deverá consolidar os dados referentes ao período até a conclusão da votação em segundo turno.

Os documentos deverão apresentar uma avaliação dos ataques registrados e permitir a observação da evolução das hostilidades ao longo das diferentes etapas da disputa eleitoral.

O que é a Coalizão
A Coalizão em Defesa do Jornalismo reúne organizações que atuam em áreas como liberdade de expressão, proteção de jornalistas, direitos humanos e defesa do exercício profissional da imprensa.

Integram a CDJor a ARTIGO 19 Brasil e América do Sul, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Associação de Jornalismo Digital (Ajor), Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca), Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Instituto Vladimir Herzog, Instituto Tornavoz e Repórteres Sem Fronteiras.