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Clubes do Rio e de São Paulo defendem anúncios de bets autorizadas diante de restrição

Times afirmam que o mercado regulado é importante para as receitas do futebol

reprodução

Clubes de futebol do Rio e de São Paulo se mobilizaram nesta quinta-feira (17) em defesa das casas de apostas autorizadas pelo Ministério da Fazenda, diante da discussão no governo federal sobre novas restrições ao setor. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) também se posicionou pela manutenção da publicidade das empresas regulamentadas.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo ainda não tomou uma decisão e que as medidas em análise levam em consideração, principalmente, o impacto das apostas sobre a renda das famílias brasileiras.

Clubes apontam impacto sobre receitas do futebol

Em manifestação divulgada nas redes sociais, clubes como Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, Palmeiras, Santos e São Paulo defenderam a manutenção do mercado regulado. O argumento é que as regras atuais permitem fiscalização, cobrança de impostos e mecanismos de proteção aos consumidores, além do combate às plataformas clandestinas.

Os clubes também alertam para o impacto financeiro de eventuais restrições. Atualmente, 13 dos 20 times da Série A possuem contratos de patrocínio master com empresas de apostas. A estimativa é de cerca de R$ 1 bilhão em receitas nessa modalidade.

Entre os principais acordos estão os do Flamengo, de R$ 268,5 milhões por ano com a Betano; São Paulo, de R$ 113 milhões com a Superbet; Corinthians, de R$ 103 milhões com a Esportes da Sorte; Palmeiras, de R$ 100 milhões com a Sportingbet; Vasco, de R$ 70 milhões com a Betfair; e Atlético-Mineiro, de R$ 60 milhões com a mesma empresa.

Segundo os clubes, esses recursos também ajudam a financiar centros de treinamento, projetos sociais, categorias de base e áreas com menor capacidade de geração de receita. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) estima que um corte nos investimentos do setor possa chegar a R$ 9 bilhões até 2029, considerando publicidade, influenciadores e patrocínios esportivos.

Abert defende anúncios de empresas autorizadas

A Abert também defende a manutenção da publicidade das operadoras autorizadas. Segundo a entidade, os anúncios ajudam os consumidores a diferenciar empresas regulamentadas das plataformas que atuam de forma clandestina.

A associação sustenta que a prioridade deve ser fiscalizar as regras existentes e combater a publicidade de empresas ilegais.

Governo ainda avalia medidas

Durigan afirmou nesta quinta-feira que ainda não há decisão sobre novas restrições. Segundo o ministro, o governo acompanha o comprometimento da renda das famílias com as apostas e busca formas de reduzir esse impacto.

Na quarta-feira (16), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que sua disposição pessoal é acabar com as bets e relacionou o crescimento das apostas ao endividamento de parte da população. O presidente disse que o assunto já foi discutido em reuniões internas do governo e com representantes da sociedade, mas não anunciou uma medida específica.

Segundo a Reuters, uma das possibilidades em análise é a proibição de operações de cassinos online. Nesse cenário, as apostas esportivas e os patrocínios relacionados a elas ficariam de fora da proibição.