A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira (16/09) que a democracia depende da confiança da população nas instituições. A declaração foi feita um dia após uma sessão marcada por divergências entre ministros da Corte.
Durante participação virtual em um encontro nacional sobre controle interno, promovido pelo Conselho Nacional de Controle Interno (Conaci), Cármen Lúcia lamentou o que chamou de um momento de “descrença e desânimo” com a administração pública.
Segundo a ministra, os agentes públicos podem cometer erros, mas devem ter como obrigação a busca pelo acerto e pelo cumprimento das regras. Para ela, esse comportamento é necessário para preservar a confiança da população nas instituições.
Cármen também afirmou que desconfia de governantes e administradores públicos que questionam a importância dos mecanismos de controle interno. Na avaliação dela, esses instrumentos ajudam a garantir que as leis e os objetivos das instituições sejam cumpridos.
A declaração ocorreu um dia depois de uma sessão extraordinária do STF que analisou um relatório da Polícia Federal com mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
A sessão terminou sem uma decisão sobre a abertura de investigação e foi marcada por divergências entre os ministros. Cármen Lúcia afirmou durante o julgamento que estava “profundamente triste” com a situação e disse que o episódio havia provocado um “mal-estar cívico” no país.
A ministra também criticou o que classificou como “espetacularização” da sessão e afirmou que o debate acabou se afastando do tema que deveria ser analisado pelo Supremo.
As declarações desta quarta-feira foram feitas em um contexto de crise interna no STF, após o julgamento que envolveu os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Segundo a CNN, o presidente da Corte, Edson Fachin, e Cármen Lúcia vêm buscando diálogo entre os integrantes do tribunal após os conflitos da sessão de terça-feira.






