A ex-presidente do Chile Michelle Bachelet anunciou neste sábado (19) a retirada de sua candidatura ao cargo de secretária-geral das Nações Unidas. A decisão encerra a tentativa da ex-chefe de Estado chilena de comandar a ONU a partir de 2027 e ocorre após uma forte redução do apoio ao seu nome entre os integrantes do Conselho de Segurança.
Bachelet, de 74 anos, comunicou a desistência por meio de um vídeo publicado nas redes sociais. Ex-alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos e presidente do Chile em dois mandatos, ela afirmou que seguirá atuando internacionalmente. “Vou agora continuar, com a mesma determinação de sempre, meu trabalho internacional”.
A candidatura de Bachelet tinha como alguns de seus principais eixos a defesa do multilateralismo e do direito internacional. A ex-presidente também defendia que a sucessão de António Guterres representasse uma oportunidade para que uma mulher assumisse, pela primeira vez, o principal cargo da ONU.
Bachelet contava com o apoio do presidente Lula. O Brasil, ao lado de Chile e México, participou da apresentação do nome da ex-presidente chilena à ONU, em fevereiro. Mesmo depois de o governo chileno retirar o apoio à candidatura, após a posse do presidente José Antonio Kast, Lula manteve o respaldo a Bachelet. Em maio, ao recebê-la no Palácio do Planalto, o presidente brasileiro afirmou que a experiência da ex-chefe de Estado e sua trajetória nas Nações Unidas a credenciavam para se tornar a primeira mulher latino-americana a comandar a organização.
Apoio despenca em votação informal
A saída da chilena foi anunciada um dia depois da terceira consulta informal entre os 15 integrantes do Conselho de Segurança. Segundo informações divulgadas por fontes diplomáticas, Bachelet recebeu apenas um voto de “encorajamento”, 11 de “desencorajamento” e três manifestações sem opinião.
O resultado confirmou a perda de força da candidatura. Na primeira consulta, realizada em julho, Bachelet havia obtido seis manifestações favoráveis. Esse número caiu para duas na segunda rodada e chegou a apenas uma na votação de sexta-feira (18).
Com a desistência, sete candidatos permanecem na disputa para suceder António Guterres. O português concluirá em 31 de dezembro de 2026 seu segundo mandato consecutivo de cinco anos à frente das Nações Unidas.
Rebeca Grynspan lidera consulta
Na terceira votação informal, a costarriquenha Rebeca Grynspan ficou à frente dos demais concorrentes, com nove manifestações de apoio, cinco contrárias e uma sem opinião. Na sequência apareceu Carolyn Rodrigues-Birkett, da Guiana, com oito votos favoráveis, seis contrários e uma manifestação sem opinião.
As consultas são confidenciais e não vinculantes, mas funcionam como um termômetro das possibilidades de cada candidatura. Novos nomes ainda podem entrar na disputa antes da definição do sucessor de Guterres.
Como será escolhido o próximo chefe da ONU
A escolha passa primeiro pelo Conselho de Segurança, formado por 15 países. Para avançar, um candidato precisa reunir ao menos nove votos favoráveis e não sofrer veto de nenhum dos cinco membros permanentes: Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido.
Depois de chegar a um consenso, o Conselho de Segurança recomenda formalmente um nome à Assembleia Geral da ONU. A escolha é então submetida aos 193 Estados-membros da organização. O processo para selecionar o décimo secretário-geral das Nações Unidas foi iniciado formalmente em novembro de 2025.






