Rodrigo Bacellar será transferido de presídio federal para unidade prisional no Rio de Janeiro
Estado
Rodrigo Bacellar será transferido de presídio federal para unidade prisional no Rio de Janeiro
Trens terão mudanças na circulação neste domingo por causa de serviços de limpeza na via
Rio de Janeiro
Trens terão mudanças na circulação neste domingo por causa de serviços de limpeza na via
Senado marca votação da PEC da Segurança Pública para terça-feira
Política
Senado marca votação da PEC da Segurança Pública para terça-feira
Líder supremo do Irã ameaça reagir a novos ataques dos EUA e de Israel
Mundo
Líder supremo do Irã ameaça reagir a novos ataques dos EUA e de Israel
Vacinação contra meningite para pessoas de até 59 anos termina neste sábado no Rio
Rio de Janeiro
Vacinação contra meningite para pessoas de até 59 anos termina neste sábado no Rio
Tiroteio em Duque de Caxias termina com cinco presos e interdição de vias
Baixada Fluminense
Tiroteio em Duque de Caxias termina com cinco presos e interdição de vias
Moraes manda soltar desembargador investigado na Operação Unha e Carne
Estado
Moraes manda soltar desembargador investigado na Operação Unha e Carne

MPF cobra reparação por venda de corpos de pacientes do Hospital Colônia de Barbacena

Ação civil pública pede, entre outras medidas, o pagamento de R$ 13,7 milhões por danos morais coletivos

O Ministério Público Federal (MPF) entrou na Justiça para responsabilizar instituições públicas de Minas Gerais e a União pela comercialização de corpos de pacientes do antigo Hospital Colônia de Barbacena, no Campo das Vertentes. A ação civil pública pede, entre outras medidas, o pagamento de R$ 13,7 milhões por danos morais coletivos.

Criado em 1903, o Hospital Colônia funcionou por mais de oito décadas e ficou marcado por graves violações de direitos humanos. Estima-se que cerca de 60 mil pessoas tenham morrido no local ao longo dos anos. Pelo menos 1.800 corpos de pacientes foram vendidos para instituições de ensino e utilizados em aulas de anatomia.

A ação foi apresentada contra a Fundação Educacional Lucas Machado (Feluma), mantenedora da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCMMG), a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), o Estado de Minas Gerais e a União.

Segundo o MPF, ao menos 105 corpos de pessoas internadas no Hospital Colônia foram comercializados entre 1971 e 1975 e encaminhados para a então Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, em Belo Horizonte.

Documentos históricos analisados durante as investigações apontam que cada corpo era vendido por 50 cruzeiros. Na época, o salário mínimo em Minas Gerais era de 216 cruzeiros. Conforme os registros, o dinheiro era destinado a despesas de conservação e transporte dos cadáveres.

Para os procuradores da República Angelo Giardini de Oliveira e Edmundo Antonio Dias Netto Junior, as violações cometidas contra os pacientes não deixam de produzir efeitos jurídicos com o passar do tempo. O MPF considera os fatos como violações de direitos humanos de extrema gravidade.

Além da indenização, a ação solicita uma série de medidas de reparação histórica. Entre elas estão a publicação de declarações oficiais de reconhecimento dos fatos, a realização de cerimônias públicas em homenagem às vítimas e a criação de um memorial em Belo Horizonte.

O órgão também pede a digitalização de documentos históricos relacionados ao Hospital Colônia e a inclusão obrigatória, nos cursos da Faculdade de Ciências Médicas, de conteúdos sobre violência manicomial, direitos humanos e bioética.

Outra medida solicitada é que o Ministério da Educação (MEC) estabeleça regras nacionais para o uso de cadáveres em instituições de ensino. O MPF também pede que a Feluma destine R$ 1,1 milhão para pesquisas independentes sobre o tema.

A ação ainda propõe a proibição de cortes de recursos destinados à Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) pelo período de 15 anos, como forma de prevenir a repetição de práticas semelhantes.

Em nota, a Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais e a Feluma afirmaram que sempre colaboraram com o MPF durante as apurações. As instituições disseram que não têm conhecimento de nenhuma demanda apresentada pelo órgão e que apresentarão suas teses de defesa no processo no momento oportuno.

A Fhemig informou, por meio da Advocacia-Geral do Estado (AGE), que ainda não foi notificada sobre a ação. Segundo o órgão, após ser intimado, o Estado se manifestará nos autos.

O Hospital Colônia foi criado em 1903 com a finalidade de atender pessoas com transtornos mentais. Com o passar dos anos, porém, a instituição passou a receber também pessoas consideradas indesejadas pela sociedade, muitas vezes sem diagnóstico médico adequado.

Entre os internos estavam pessoas com transtornos mentais e deficiências, além de homossexuais, militantes políticos, mulheres rejeitadas pelos maridos, grávidas e outras pessoas que eram encaminhadas ao local por diferentes motivos.

As condições de vida eram precárias, e milhares de pacientes morreram durante as décadas de funcionamento da instituição. O episódio ficou conhecido como “Holocausto Brasileiro”, em referência à dimensão das violações de direitos humanos ocorridas no local.

O fechamento simbólico do Hospital Colônia aconteceu em 25 de maio de 2026, quando os 14 últimos moradores foram transferidos para uma residência terapêutica.

A discussão sobre o uso dos corpos dos pacientes também chegou a outras instituições de ensino. Em abril deste ano, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) pediu desculpas publicamente após reconhecer o recebimento de corpos de pacientes do Hospital Colônia.

Em maio, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) também reconheceu ter recebido 169 corpos para atividades acadêmicas e firmou compromissos relacionados ao caso.

No caso da Faculdade de Ciências Médicas, segundo o MPF, não houve acordo durante as negociações administrativas. Diante disso, o órgão decidiu levar o caso à Justiça e buscar medidas de responsabilização e reparação histórica para as vítimas e seus familiares.