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Lula diz a advogado que Lulinha deve se apresentar à Justiça

Apesar do tom do encontro Lula não esconde a irritação com as novas revelações envolvendo seu filho mais velho

Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu na noite desta quarta-feira, no Palácio da Alvorada, com Marco Aurélio de Carvalho, advogado que representa seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, suspeito de tráfico de influência. Carvalho afirmou que o encontro tratou de agendas eleitorais de Lula em São Paulo — o candidato do PT ao governo estadual, Fernando Haddad, também estava presente —, mas, como conta Vera Rosa, Lula defendeu que o filho se coloque “à disposição da Justiça” para esclarecimentos. Segundo o advogado, o presidente, em campanha para a reeleição, não quer passar a imagem de que Lulinha está acima da lei.

Apesar do tom do encontro Lula não esconde a irritação com as novas revelações envolvendo seu filho mais velho, a lobista Roberta Luchsinger e Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, seu ex-chefe de gabinete. Segundo assessores, Lula afirma que não tinha conhecimento das relações reveladas pelas investigações e considera que o filho e o ex-auxiliar deverão responder à Justiça caso alguma irregularidade seja comprovada.

As investigações envolvendo Lulinha e Marcola recolocaram o recorrente tema da corrupção no caminho da campanha à reeleição de Lula. Nos bastidores, aliados avaliam que as revelações dificultam a estratégia de explorar politicamente as relações de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula, com Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master. O cenário mudou com o avanço das investigações sobre Lulinha e Roberta Luchsinger. O impacto eleitoral do caso divide a campanha. Uma ala considera que ficou mais difícil confrontar Flávio no terreno da corrupção. Outra avalia que as denúncias dificilmente afastarão eleitores já consolidados de Lula ou de seu adversário.

A preocupação com os impactos eleitorais tem feito a assessoria jurídica da campanha de Lula entrar em campo para tentar conter os vazamentos diários sobre o caso Lulinha, conta Caio Junqueira. A ideia é cobrar tanto do Ministério da Justiça, ao qual a Polícia Federal responde, e ao Supremo Tribunal Federal (STF) a lista de agentes que tiveram acesso às informações do caso. As duas instituições são vistas como as principais suspeitas de vazamento.