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Estação Leopoldina tem restauração adiada e entrega fica para 2027

Retirada de equipamentos e aduelas ainda trava a liberação do terreno no Centro do Rio

projeto em perspectiva

A restauração da Estação Leopoldina, no Centro do Rio, não será concluída em 2026, como previsto inicialmente. O novo cronograma aponta que a entrega do prédio histórico ficará para 2027, justamente no ano em que o imóvel completa 100 anos de inauguração.

A intervenção, contratada pela Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPar), tem investimento estimado em cerca de R$ 80 milhões e inclui recuperação estrutural, restauração de elementos históricos e modernização do complexo.

O andamento das obras também depende da liberação de parte do terreno, que ainda abriga antigos equipamentos ferroviários e milhares de estruturas de concreto.

Justiça determina retirada de equipamentos

A Justiça Federal determinou que a Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística (Central) retire os veículos, equipamentos e outros materiais que permanecem no local. A empresa recebeu prazo de 30 dias para liberar a área, sob pena de multa diária de R$ 30 mil, limitada a R$ 3 milhões.

Segundo a Secretaria estadual de Transporte e Mobilidade Urbana, uma empresa foi contratada por R$ 2,87 milhões para fazer a retirada. Parte dos materiais deverá ser transferida para uma área em Deodoro, após tratativas com o Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O terreno também abriga 6.672 aduelas de concreto, produzidas para a construção da Linha 4 do metrô e que nunca foram utilizadas. Elas estão organizadas em 834 conjuntos, com segmentos que podem pesar entre oito e dez toneladas.

Segundo estimativas apresentadas no processo judicial, a remoção das estruturas poderia levar de nove a 12 meses e custar cerca de R$ 5 milhões.

Obra enfrentou paralisação

A restauração da estação também passou por uma paralisação em 2025, durante uma disputa entre a prefeitura e a empresa responsável pela execução. A empreiteira alegou problemas relacionados a pagamentos, enquanto o município informou que avaliava questões trabalhistas.

A Estação Barão de Mauá, nome oficial do prédio, foi inaugurada em 6 de novembro de 1926. O imóvel ficou conhecido como Estação Leopoldina em referência à empresa responsável pela construção.

Com o novo cronograma, a estação não será reaberta durante as comemorações de seus 100 anos.

Região terá outras obras

A área no entorno da estação também passa por um processo de revitalização. Entre as intervenções está a construção da Fábrica do Samba Rosa Magalhães, destinada às escolas de samba da Série Ouro, com conclusão prevista para 2027.

O projeto ocupa uma área de 28 mil metros quadrados e prevê 14 galpões, oficinas, ateliês, depósitos e espaços para produção de carros alegóricos, fantasias e adereços.

O investimento estimado é de R$ 156 milhões. A expectativa é que, com a restauração da estação e a construção da Fábrica do Samba, a região da Zona da Leopoldina passe por uma ampla transformação urbana.