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Suspeito de matar a companheira espancada é preso na Zona Norte do Rio

Adriano Reis da Cruz, 35 anos, é suspeito de espancar e matar a companheira, Gabriela Ferreira Reis da Cruz, de 41 anos

A Polícia Civil prendeu, nesta terça-feira (4), Adriano Reis da Cruz, de 35 anos, suspeito de espancar e matar a companheira, Gabriela Ferreira Reis da Cruz, de 41 anos. A prisão foi efetuada por agentes da 63ª DP (Japeri) em Turiaçu, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O crime, que ocorreu no último dia 29 em Japeri, na Baixada Fluminense, revela um trágico desfecho para um longo histórico de violência doméstica e abusos na família.

De acordo com as investigações da 63ª DP, o ataque começou após Adriano tentar abusar sexualmente da enteada. A jovem resistiu e acabou agredida pelo padrasto com socos, chutes e golpes com o cabo de uma foice. Ao tomar conhecimento do ocorrido, Gabriela confrontou o companheiro e passou a ser o alvo principal da violência.

Adriano desferiu socos e chutes na companheira e utilizou o cabo da foice para golpeá-la na região abdominal. Mesmo após Gabriela cair desacordada, as agressões continuaram. O homem pegou um facão e ameaçou matá-la. Segundo a Polícia Civil, o feminicídio só não se consumou naquele momento porque um dos filhos de Gabriela se lançou sobre o corpo da mãe para protegê-la, enquanto os irmãos choravam e imploravam pelo fim da violência.

Cárcere privado e socorro tardio

Após a sessão de espancamento, Adriano trancou a residência. Ele manteve a companheira gravemente ferida e os filhos em cárcere privado, impedindo o acesso a socorro médico. A família só conseguiu pedir ajuda horas depois, quando o suspeito ingeriu um medicamento e adormeceu.

Uma vizinha conseguiu socorrer Gabriela e a levou para uma unidade de saúde local. Devido à gravidade das lesões, ela foi transferida no dia 31 para o Hospital Geral de Nova Iguaçu (HGNI). De acordo com a prefeitura, a paciente deu entrada em estado gravíssimo, passou por cirurgia de emergência e permaneceu internada no Centro de Terapia Intensiva (CTI). Na manhã de segunda-feira (3), Gabriela sofreu uma parada cardiorrespiratória. Os médicos tentaram manobras de reanimação por 30 minutos, mas ela não resistiu.

Histórico de violência e medidas protetivas descumpridas

A polícia informou que a residência abrigava a filha de Gabriela e outras oito crianças, que viviam sob constantes ameaças e presenciaram todo o espancamento da mãe. O histórico de violência do agressor contra a família é antigo:

  • Outubro de 2011: Gabriela registrou ocorrência após ser hospitalizada por levar socos, chutes e puxões de cabelo do companheiro.
  • Março de 2015: A filha de Gabriela, então com 10 anos, fugiu para a casa de uma tia para pedir socorro após ser agredida pelo padrasto com uma extensão elétrica.
  • Abusos contínuos: Em depoimento, a enteada revelou que sofria abusos sexuais de Adriano desde os 15 anos sob constantes ameaças de morte. O caso é apurado em um procedimento policial próprio.
  • Junho de 2026: Gabriela voltou a procurar a delegacia após sofrer esganadura, socos e ameaças com uma foice. A Justiça concedeu medidas protetivas de urgência.

Mesmo com a restrição judicial em vigor, Adriano permaneceu no ambiente familiar e cometeu o crime.

Diante das provas coletadas, a 63ª DP solicitou a prisão temporária de Adriano, expedida pela Justiça e cumprida nesta terça-feira. Na residência do suspeito, os policiais apreenderam um revólver com seis cartuchos. Adriano Reis da Cruz responderá pelos crimes de feminicídio, sequestro e cárcere privado, posse irregular de arma de fogo e descumprimento de medidas protetivas de urgência.