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Cerca de 40 mil imóveis seguem sem luz após vendaval no Rio

Moradores relatam falta de água, elevadores parados, alimentos estragando e dificuldades para conservar medicamentos

reprodução

Milhares de moradores ainda convivem com os efeitos do vendaval que atingiu o estado na última quarta-feira. Na noite desta sexta-feira (31), mais de 40 mil imóveis permaneciam sem energia elétrica, segundo a Light, prolongando uma rotina de dificuldades para famílias que enfrentam a falta de água, elevadores parados e prejuízos com alimentos e medicamentos que dependem de refrigeração.

A demora na normalização do serviço também levou moradores a promover manifestações em diferentes pontos da capital e da Baixada Fluminense, aumentando a pressão sobre as concessionárias responsáveis pelo fornecimento de energia.

Famílias enfrentam rotina de dificuldades
No Engenho de Dentro, na Zona Norte do Rio, moradores da Rua Monsenhor Jerônimo relataram que equipes da Light estiveram no local após a queda de uma árvore sobre a rede elétrica durante o temporal de quarta-feira (29). Apesar dos trabalhos realizados, o fornecimento de energia continuava interrompido.

A falta de luz tem provocado impactos especialmente para idosos, pessoas doentes e moradores que dependem de equipamentos elétricos.

É o caso da aposentada Dirce, de 90 anos, que está acamada em razão do Alzheimer. Sem energia, a cama elétrica deixou de funcionar e a família teme perder a insulina utilizada pela idosa, que precisa permanecer refrigerada.

Em um edifício de dez andares da região, os moradores passaram a enfrentar uma sequência de transtornos. Sem elevadores, precisam subir escadas carregando compras e medicamentos. Além disso, a interrupção do fornecimento de água e o risco de perda de alimentos levaram muitos a comprar gelo para tentar preservar o que ainda resta nas geladeiras.

Uma moradora, que se recupera de uma cirurgia para tratamento de câncer, contou que até mesmo sair de casa para passear com os cães se tornou uma dificuldade, embora considere esse apenas um dos vários problemas enfrentados.

Comunidades também relatam falta de energia
Os transtornos não se limitaram ao Engenho de Dentro. Moradores do Complexo da Maré afirmaram que localidades como Nova Holanda e Parque União permaneceram sem energia durante toda a tarde desta sexta-feira.

Na Maré, o morador Alex Júnior descreveu as dificuldades enfrentadas por quem segue sem serviços básicos.

“Tem muita gente na Nova Holanda, no Sapateiro. Duas favelas sem luz. Nem água tem. Sem luz, sem água, como vai fazer arroz pra criança, feijão, leite? Nem café tem como fazer. Tem que ir pra rua.”

Sem eletricidade, muitas famílias também ficaram sem abastecimento de água e encontraram dificuldades até para preparar alimentos.

Protestos se espalham
A demora no restabelecimento do serviço provocou manifestações em diversos pontos do estado.

Foram registrados protestos no Jacarezinho, Parque Columbia, Vigário Geral, Santa Cruz, na Rodovia Presidente Dutra, na altura de Comendador Soares, em Nova Iguaçu, e em Vilar dos Teles, em São João de Meriti, onde manifestantes chegaram a incendiar pneus. Em Vigário Geral, um ônibus foi atravessado na Rua Bulhões Marcial durante o ato.

Segundo a Light, aproximadamente 40 mil clientes ainda estavam sem energia no fim da tarde desta sexta-feira. A concessionária informou que as áreas mais afetadas são bairros da Zona Oeste da capital e municípios da Baixada Fluminense.

Já a Enel informou que cerca de 3,5 mil clientes permaneciam sem fornecimento de energia em Niterói e Paraty.

As duas distribuidoras afirmaram que trabalham para normalizar o serviço e estimam concluir o restabelecimento do fornecimento até o fim do dia. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou que acompanha a situação e fiscaliza o cumprimento das obrigações das concessionárias.

O secretário de Estado de Energia e Economia do Mar, Cássio Coelho salientou nas redes sociais que “desde quarta-feira estamos em contato permanente com as concessionárias e cobrando prioridade absoluta para o restabelecimento do fornecimento de energia. Seguimos acompanhando a situação e exigindo respostas rápidas para a população.”

 

*Com informações da Agenda do Poder