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Pesquisa mostra que eleitor está cansado e desconfortável com polarização na política

Pesquisa BTG/Nexus ouviu 2.002 eleitores por telefone entre 4 e 7 de setembro.

reprodução

O cansaço dos brasileiros com a polarização política aumentou sete pontos em menos de um mês. A parcela dos eleitores que reconhecem a existência desse ambiente e se dizem cansados ou desconfortáveis passou de 36% para 43%, segundo a 13ª rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta terça-feira (8).

Também cresceu a percepção de que a polarização interfere diretamente na corrida pelo Palácio do Planalto. Agora, 71% afirmam que a eleição presidencial de 2026 está sendo impactada pelo fenômeno, ante 65% na medição anterior.

Ao mesmo tempo, caiu de 24% para 21% a parcela que discorda de que a disputa eleitoral esteja sendo afetada pela polarização. Entre os entrevistados que reconhecem o fenômeno, 15% dizem estar confortáveis com a situação, contra 17% anteriormente, enquanto 13% se declaram indiferentes, ante 12% na rodada anterior.

A pesquisa primeiro perguntou aos entrevistados se concordavam com a afirmação de que “a eleição de 2026 está sendo impactada pela polarização política da população”. Quem respondeu positivamente foi questionado sobre como se sentia diante desse cenário.

Desconforto também alcança eleitores dos principais candidatos
O cansaço aparece nos diferentes campos da disputa presidencial. Entre os eleitores de Lula (PT) no cenário estimulado de primeiro turno, 34% se dizem cansados ou desconfortáveis. Outros 18% afirmam estar confortáveis e 17%, indiferentes. Nesse grupo, 22% não consideram que a polarização esteja impactando a eleição.

Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), o desconforto é maior: 42% dizem estar cansados. Outros 16% estão confortáveis, 11% se declaram indiferentes e 24% discordam do impacto da polarização sobre a corrida presidencial.

Os maiores percentuais de insatisfação, porém, aparecem entre eleitores de candidaturas fora dos dois principais polos. O índice chega a 67% entre os apoiadores de Renan Santos e a 66% entre os eleitores de Augusto Cury.

Entre os eleitores de Ronaldo Caiado, 52% estão cansados ou desconfortáveis, enquanto o percentual é de 48% entre os apoiadores de Romeu Zema. Considerando os eleitores dos demais candidatos, o índice alcança 72%.

Cansaço é maior entre quem rejeita Lula e Bolsonaro
Outro recorte da Nexus reforça a relação entre o desgaste da polarização e a busca por alternativas. Entre os entrevistados classificados pelo instituto como “Anti-Lula e Anti-Bolsonaro”, 54% estão cansados ou desconfortáveis. Entre os chamados “não polarizados”, o percentual é de 45%.

No grupo definido como “Bolsonaro como alternativa”, o índice chega a 57%. Entre aqueles classificados como “Lula como alternativa”, são 52%.

Mesmo nos núcleos mais identificados com os dois campos políticos, entretanto, há sinais de desgaste. O cansaço alcança 40% dos “bolsonaristas convictos” e 39% dos “lulistas convictos”.

Flávio lidera entre eleitores cansados da polarização
O cruzamento dos dados com as intenções de voto revela uma característica importante desse eleitorado. Entre os brasileiros cansados ou desconfortáveis com a polarização, Flávio Bolsonaro registra 35% no primeiro turno e Lula aparece com 32%.

Augusto Cury alcança 14% nesse grupo, seguido por Renan Santos, com 7%, Ronaldo Caiado, com 5%, e Zema, com 2%.

O cenário se inverte entre aqueles que reconhecem a polarização, mas se dizem confortáveis ou indiferentes. Nesse segmento, Lula alcança 48%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 33%.

Entre os entrevistados que discordam que a polarização esteja impactando a eleição, a diferença é menor: Lula tem 42% e Flávio, 40%.

Em uma eventual disputa de segundo turno entre os dois, Flávio Bolsonaro chega a 51% entre os eleitores cansados ou desconfortáveis, contra 37% de Lula. Já entre os que reconhecem a polarização, mas estão confortáveis ou indiferentes, Lula aparece com 53% e Flávio, com 41%.

A 13ª rodada da pesquisa BTG/Nexus ouviu 2.002 eleitores por telefone entre 4 e 7 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06790/2026.