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TSE suspende inelegibilidade de Crivella e libera ex-prefeito para disputar as eleições de 2026

Ministro André Mendonça concedeu liminar e interrompeu os efeitos da decisão do TRE-RJ

reprodução

O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspendeu monocraticamente a inelegibilidade do deputado federal e ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella (Republicanos).

A decisão, assinada na segunda-feira (30), devolve provisoriamente os direitos políticos do parlamentar e permite que ele participe normalmente das eleições de 2026 enquanto o recurso é analisado pela Corte.

A liminar interrompe os efeitos de uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), que em outubro de 2024 condenou Crivella por abuso de poder político e econômico no processo relacionado ao esquema que ficou conhecido como “QG da Propina”.

Na ocasião, o tribunal declarou o ex-prefeito inelegível por 8 anos, contados a partir das eleições municipais de 2020. Também foi condenado o empresário Rafael Alves, apontado pelo Ministério Público como homem de confiança de Crivella.

Na decisão, Mendonça afirmou que há plausibilidade jurídica nos argumentos apresentados pela defesa e destacou a existência de divergência dentro do próprio TRE-RJ sobre a relação entre os fatos investigados e a eleição de 2020.

Segundo o ministro, parte dos magistrados entendeu que as irregularidades identificadas estariam ligadas principalmente à disputa municipal de 2016, e não ao pleito seguinte. Com isso, o caso merece um exame mais aprofundado antes da produção de efeitos definitivos sobre os direitos políticos de Crivella.

O ministro também apontou que a proximidade das convenções partidárias e do período de registro de candidaturas para as eleições de 2026 configura risco de dano irreparável caso a inelegibilidade permanecesse em vigor enquanto o recurso ainda não foi julgado.

Para o advogado Márcio Vieira, que faz a defesa de Crivella, a decisão demonstra que havia fundamentos para questionar o entendimento adotado pelo TRE-RJ.

“As convenções partidárias estão próximas, e existia o risco de um impedimento antes da análise do recurso pelo TSE. O ministro foi sensível a essa situação e garantiu que Crivella possa exercer plenamente seus direitos políticos até o julgamento definitivo”, afirmou.
O defensor acrescentou que a liminar reforça a tese de que a condenação imposta pelo TRE-RJ é questionável e destacou que decisões judiciais anteriores já haviam apontado fragilidades em acusações relacionadas ao ex-prefeito.

“Temos agora o afastamento da inelegibilidade, o que fortalece todos os argumentos da defesa. Nossa expectativa é que, ao final do julgamento, fique demonstrado que a decisão do TRE foi equivocada”, concluiu.

Entenda o caso
O processo teve origem em uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral baseada em provas da Operação Hades, que apurou um suposto esquema de corrupção na Prefeitura do Rio durante a gestão de Crivella.